segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ubik, de Philip K. Dick


Título Original:
Ubik
Autor(a):
Philip K. Dick
Origem:
EUA
Tradução:
Ludimila Hashimoto
Editora:
Aleph
Ano de publicação:
1969


Olá, meus lindos leitores. Acabei de voltar do cinema com meu pai depois de assistir Oblivion, com Tom Cruise, Morgan Freeman e Nikolaj Coster-Waldau, uma ficção-científica cheia de ação, alienígenas e fim do planeta. O filme é muito bom (os efeitos estavam ótimos, a trilha incrível, a história foi levemente clichê, mas ainda assim bem elaborada), porém tenho que fazer uma crítica: não curto roteiros que deixam várias perguntas no ar e só esclarecem nos últimos cinco minutos do filme. Modéstia a parte, não sou desses que só acompanham o filme: fico pensando, tentando desvendar, adivinhar o que vem e sacar o que o diretor quis passar. Entretanto, quando começam a ser lançadas pistas sobre o mistério que só te deixam com um ponto de interrogação na cabeça, eu me atrapalho e o filme não parece fazer mais sentido. Sinto-me uma ignorante quando isto acontece, mas quando eu vejo pela segunda vez, logo penso: “Ah! Estava na cara o tempo todo!”. Para quem gosta de filme futuristas onde o mundo foi destruído, alienígenas, heróis bonitos (Tom Cruise, quando está em um filme de ação, ninguém segura) e ação com tecnologia, é um ótimo filme.
Entrando no clima da ficção-científica, resolvi resenhar sobre um ótimo livro com esta temática: Ubik, de Philip K. Dick. Este também deixa muitas perguntas para o final, mas são questões mais básicas para se ter uma história.
No ano de 1992, Glen Runciter é o chefe da Runciter & Associados, uma empresa de agentes inerciais, pessoas com poderes especiais, capazes de neutralizar outras pessoas especiais que são contratadas para espionar grandes instituições, os psis. Ao lado de Glen temos sua esposa, Ella, mantida em “meia-vida” (a pessoa em meia-vida é mantida temporariamente viva depois de algum acontecimento fatal e pode ter sua consciência “ativada” pelo responsável até a sua ressurreição), e Joe Chip, que tem sérios problemas financeiros e de relacionamento. Neste futuro do final do século XX, o capitalismo e a tecnologia estão em seu auge: máquinas são capazes de interagir com humanos e cobrar pagamento por tudo, como abrir a porta da sua casa ou pegar o jornal. Viagens espaciais e intercontinentais em instantes também são muito frequentes e comuns.
O enigma começa quando Joe Chip descobre uma inercial com poderes nunca antes vistos: ela é capaz de alterar o passado. Desconfiado, ele a leva até seu chefe e o alerta do perigo que ela representa. Glen, por sua vez, contrata-a para testá-la.
Surge então uma proposta interessante para a Runciter & Associados: uma missão na lua muito suspeita leva Glen a juntar seus melhores profissionais, incluindo Chip, para investigá-la. Entretanto, a tal missão era uma emboscada: uma bomba explode e Glen morre. Joe, desesperado para manter Glen vivo e conseguir uma luz no caminho que leva até o mandante do atentado, corre com os outros inerciais para colocar o líder em meia-vida, entretanto, no caminho de volta, todos notam que o mundo está estranho: seus produtos, antes tão perfeitos, decompõe-se em suas mãos e artefatos antigos começam a tomar conta dos novos. Ninguém entende bem o que está acontecendo, mas o objetivo é manter Glen vivo.
O tempo continua a retroceder. Depois de colocar Glen em meia-vida, perto de Ella, todos se empenham em descobrir a razão para o regresso dos anos, porém, quando um dos inerciais também se decompõe e morre, Chip vê a verdadeira ameaça: estão todos correndo o risco de vida. Como se já não bastasse a deterioração do material e o recuo temporal, estranhos sinais de Runciter começam a surgir nos lugares mais inusitados. Ele estava tentando mandar uma mensagem para Chip, mas este não conseguia compreendê-las: onde estava a ligação de todos estes episódios? Onde tudo começou? Onde iria parar? Como Joe salvaria a si e a todos?
Quando eu disse que este livro tinha mistérios básicos para uma história, fui muito branda: algumas interrogações confundiram bastante, porém é muito mais fácil criar teorias em um livro, que você pode parar e pensar, do que em um filme, onde a imagem, o som, a emoção e a companhia te impedem de parar a cada minuto para formular hipóteses.
Houve um ponto negativo que eu não posso deixar de comentar: a cena da bomba. Sem querer dar spoiler, porém a cena mais importante do livro pecou no quesito detalhe e emoção. Quando as personagens percebem que são vítimas de uma emboscada e que há uma bomba, tudo corre rápido demais e o leitor pode sentir-se desnorteado. Depois da explosão, a morte de Glen é anunciada tão rápida e a corrida para salvá-la acontece tão de repente que fica complicado entender bem o que está acontecendo. Mas, analisando um pouco mais a fundo, talvez a resposta para a grande interrogação que fica no final do livro esteja neste trecho acelerado.
Gostei bastante do estilo de Philip K. Dick. Durante minha leitura, descobri que o filme O Vingador do Futuro foi inspirado em um de seus livros: o filme é bom, mas muito previsível. Não tenho certeza quanto ao livro, pois o filme é para algum momento “não tenho o que ver”. Voltando ao Ubik, este sim é muito recomendável, mas para quem entende de narrações futuristas. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Til, de José de Alencar


Título Original:
Til
Autor(a):
José de Alencar
Origem:
Brasil
Tradução:
*livro nacional*
Editora:
Martin Claret
Ano de publicação:
1872


Til contará a história de Berta, mas sua trama começa muito antes de nascer. Berta, chamada de Inhá ou Til, é uma linda e encantadora jovem, filha de criação de Nha Tudinha, mãe de Miguel, que sofre de uma paixão violenta pela meia-irmã. Porém, a típica heroína romântica, que também ama o irmão, sacrifica seus sentimentos pelos de Linda, sua melhor amiga, que também sofre de amores pelo rapaz, outro típico herói romântico (corajoso, bonito, no auge de sua juventude e força, tomado por fortes emoções, pobre e sonhador). Já Afonso, irmão de Linda, também é apaixonado por Berta, porém seu amor é mais truculento e sensual, não o sentimento puro e ingênuo que Berta sente por todos. Ainda neste romance temos Brás, primo de Linda e Afonso, que sofre de distúrbios e, portanto, é completamente excluído de sua família, principalmente pela elegante e “europetizada” D. Ermelinda, sua tia. Entretanto, Brás foi acolhido pelo afeto de Berta, que ele apelidou de Til por ser o único sinal da gramática que sua mentalidade conseguia identificar através do fascínio.
Estes amores podem ser belíssimos, mas sempre encontram obstáculos. O principal é a diferença de classes de Miguel e Berta com relação à Linda e Afonso. D. Ermelinda jamais permitiria que seus filhos tivessem qualquer relação com alguém de classe inferior, portanto proibia os adolescentes de se encontrarem. Contudo, em passeios secretos, o quarteto juntava-se no Tanquinho, na fazenda de Palmas, que pertencia ao pai de Afonso, Luís Galvão.
Este último guarda um grande segredo, conhecido apenas pelo temido capanga Jão Fera, ou Bugre, que se ressente do grande latifundiário por este motivo oculto. Entretanto, Jão Fera e Luís Galvão foram criados juntos e certo afeto ainda existe entre os dois no início do livro. O Bugre tem a fama de uma grande mercenário assassino e tem sua cabeça colocada a prêmio, sendo invejado por Gonçalo, outro capanga cujo maior sonho era amedrontar as pessoas apenas por ouvirem seu nome. Esta inveja de Pinta, seu apelido que tanto detestava, trará grandes problemas à Jão Fera que é procurado por caçadores de recompensas.
A fama do Bugre chega aos ouvidos de Barroso, personagem muito suspeito e misterioso, que surgiu pelas redondezas com o desejo de vingança contra Luís Galvão sabe Deus por qual motivo. Barroso contrata os serviços de Jão, que aceita o dinheiro antes mesmo de saber quem seria a vítima. Quando descobre que terá que emboscar Galvão, Jão hesita, mas, como colocou sua palavra em jogo, vai até o fim.
No dia do ataque, Jão estava prestes a atacar Galvão quando surge Berta, que pressentia algo de ruim quando cruzara com o capanga mais cedo. Com a ameaça de desprezo, Berta consegue fazer Jão desistir do ataque e procurar um meio de pagar sua dívida.
Barroso planeja então outro ataque a Luís Galvão: no dia de São João, durante a madrugada, tocaria fogo no canavial de Galvão. Este último correria para apagar o fogo, mas neste momento, sofreria um atentado e seu corpo seria jogado no fogo. Barroso se aproximaria da família de Luís e tomaria a viúva para si, completando então sua vingança. Contudo, Jão ainda está por perto para impedir os planos de Barroso e reconhecer a verdadeira face do maligno.
Já Berta tem outros mistérios: Zana, uma velha negra demente que vive em uma casa aos pedaços. Depois de muito observá-la, Berta descobre que a louca tinha uma sequencia de atos, o que indicava os últimos atos lúcidos da mulher. Por muito tempo, Berta formulou teorias sobre o que aquela cena representava, mas o que ela não imaginava era episódio estava intrinsecamente ligado à sua história.
Til, livro tipicamente romântico e regionalista, é uma das principais histórias de José de Alencar, apesar de ser de longe a melhor. Pode parecer bem complicado com suas palavras rebuscadas (para nossa linguagem atual), mas com o ritmo da leitura, o contexto já esclarece as principais dificuldades do leitor. Texto extremamente detalhado, principalmente quando se trata de emoções, ideias, psíquico ou natureza, é o grande trunfo do autor pela sua habilidade em escrever... Para ser mais sincera, eu diria seu dom de escrever, apesar de ser muitas vezes exaustivo.

P.S.: o livro atraiu minha atenção até a decisão de Berta em relação a Miguel. Final picolé de chuchu! 

sábado, 23 de março de 2013

Viagens na minha terra, de Almeida Garrett

Título Original:
Viagens na minha terra
Autor(a):
Almeida Garrett
Origem:
Portugal
Tradução:
*livro em português*
Editora:
Martin Claret
Ano de publicação:
1843


Como o próprio nome já diz, Almeida Garrett contará neste livro sobre uma viagem que ele faz com alguns companheiros por Portugal. Sua jornada começa por Lisboa, onde ele faz um longo discurso sobre a instabilidade do país e sobre os grandes nomes da literatura e filosofia que admira e estima.
Conforme vai avançando por Portugal, com destino a Santarém, Almeida Garrett se divide entre descrever minuciosamente os ambientes, analisar o psicológico humano, discutir sobre a razão da existência, discursar sobre os grandes intelectuais até aquele tempo, enaltecer a sua obra e, o mais importante, narrar a história de amor de Carlos e Joaninha. Para ser bem sincera, o autor/protagonista se perdeu entre os itens, mas desenvolverei a ideia mais adiante.
Almeida Garrett estava em Santarém quando passou a frente de uma casa e “apaixonou-se” por uma de suas janelas. Descobriu então que aquela era a janela da Menina dos Rouxinóis, apelido de Joana, uma jovem de dezesseis anos, exemplo de pureza, simplicidade e beleza. Garrett conta então a história da menina, que mora com a avó e recebe as visitas semanais do misterioso Frei Dinis, que sempre trás consigo notícias de Carlos, primo e amante de Joana. Carlos partira da casa da avó para unir-se ao exército de D. Pedro, desculpa usada como pretexto para afastar de Santarém e de um segredo que ele sentia rondar a figura do frei.
Quando liberais e monarquistas se enfrentam perto de Santarém, volta Carlos para casa e se revê Joana. Este reencontro abala Carlos, que se lembrava de Joana como uma menina, contudo se depara com uma linda mulher. Ele se entregaria a sua paixão cegamente, se não ele não tivesse construído uma história enquanto esteve fora: casou-se com Georgina, uma linda inglesa de família abastada.
Quando a história chega ao seu ápice (Carlos ferido na guerra e Georgina se encontra com Joana), Garrett parte para o final da sua viagem e acaba por encontrar Frei Dinis, que contará o fim da história de Joaninha.
Admito que “Viagens na minha terra” é um livro importante para um contexto histórico (e cai no vestibular este ano), porém é um livro extenuante e demorado. Almeida Garrett, como eu disse anteriormente, parece ter se perdido no rumo do seu livro. No início, ele dizia que seu livro seria diferente de todos os outros, uma obra revolucionária, longe do romance habitual. Ele se prende então a descrição detalhada dos lugares por onde passa, criticando a situação atual de Portugal. Entretanto, em seus muitos capítulos, Garrett sai da linha de pensamento que estava seguindo, fazendo várias ligações, até chegar a um assunto completamente diferente do que estava dizendo. No capítulo seguinte, ele volta ao mesmo assunto e acaba por sair novamente. Em outros momentos, o assunto de Garrett é tão psicológico e metafórico que o leitor, se não estiver bem atento, acaba por confundir a realidade física com a psíquica.
Não é um livro fácil, que o leitor pega quando não tem o que ler. Nem é um livro de entretenimento, então não espere um envolvimento com a história. Para ser bem clara, eu não gostei do livro, apesar de ser necessário para minha formação. 

domingo, 3 de março de 2013

Nada como se sentir querida...

Olá, meus queridos! Como vocês já notaram (e cansaram), estou com sérios problemas para postar alguma coisa... Mas depois do fiasco que foi a última postagem (um livro que eu amo, mas a pior resenha que eu já escrevi), preciso voltar a treinar (rsrs).

Mas apesar da minha falta de empenho, é bom ver que vocês continuam comigo! Recebi três selinhos: um do Lendo um Sonho, da Bell's, que ela mesmo criou (o.o) e os outros da Dinda do Na trilha dos livros. Vamos lá:

Fofo não é?
Regras:
-Responder as 7 perguntas
-Nomear 7 blogs
-Avisar sobre o selinho para os blogs nomeados
-Fazer 7 perguntas diferentes das que você recebeu para os blogs nomeados

A primeira pergunta é:
1-O que te levou a criar o blog?
Estava eu, sem nada para fazer, vagando pela internet, quando encontrei uma imagem linda no Google (que eu não me lembro qual) e, quando entrei no site da dita cuja, deparei-me com o blog da Dinda Fernanda, do  Na trilha dos livros. Bem, há muito tempo eu queria montar um blog, mas não tinha um assunto, então quando vi o "Na trilha", pensei: "Por que não falar sobre o que eu mais gosto? Livros?". E surgiu o Abrindo os livros... Resumindo, o blog veio ao acaso.

2-Desde quando tem essa paixão por leitura?
Desde a quarta série. Eu odiava ler, mas ganhei um livro de presente da minha mãe (A Droga da Obediência, Pedro Bandeira, primeira postagem) e encontrei a minha razão de ser.

3-Já teve bloqueio na hora de postar?
Estou tendo neste exato instante! kkkkkkkkkkkkk

4-Se tivesse outro blog sobre outro assunto, que tema seria?
Filmes, sem sombra de dúvida. Adoro cinema! Mas não estou dando conta nem deste, imagine de outro! kkkkkkkkkkk

5-O que acha do Lendo um Sonho? (=P)
kkkkkkk Uma graça! Infelizmente, não consigo navegar com frequencia pelos blogs que eu sigo. Gostaria de ser mais participativa com todos.

6-Faz faculdade? De quê?
Ainda não, entro ano que vem. Estou pensando em entrar para a Marinha (vai que eu encontro o meu capitão lá kkkkkkk) ou então Engenharia Naval. Com certeza vou para alguma área relacionada com o mar, porque é outra paixão. Apesar de todos me dizerem que eu deveria cursar Letras, me recuso a transformar minha paixão por livros em profissão. Perderia a magia.

7-Já CRIOU um selinho?
Não... Mas sabe que me deu vontade? Quem sabe...

E vamos nomear os blogs!

Livros e Chocolate (agora eu acertei? kkkkk XP)

E para encerrar, 7 perguntas:

1-Qual a sua grande paixão?
2-Qual é a pessoa que você mais admira?
3-Se você pudesse nascer em outra época, qual seria?
4-Mudaria alguma coisa do passado?
5-Como você se vê daqui dez anos?
6-Se você pudesse conversar com alguma pessoa que já morreu (famosa ou não), quem seria?
7-Cite uma passagem de algum livro que você nunca esquece.

O outro selinho é da Dinda Fernanda! E ele é famoso! Foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade, em 2008, e pediu para que seus 15 blogs nomeados indicassem outros blogs e assim o selinho foi se espalhando... E chegou aqui! Honra no nível profissional (u.u). Obrigada Dinda!


As regras:
Exibir a imagem do selo no seu blog
Linkar o blog que te indicou
Escolher outros 10 blogs para receber o Selo Dardos
Deixar um comentário nos blogs escolhidos

Bem, além dos sete blogs já indicados ali em cima, adiciono:
Lendo um Sonho
Perdidas Nas Histórias
Universo Adolescente

Claro, eles também podem considerar os dois selinhos como sendo deles! São ótimos! ;)

O último também é da Dinda.


As regras:
1. Citar o nome de quem te indicou (sempre)
2. Indicar 2 livros no mínimo que leu e gostou em 2012.
3. Listar 3 livros que você deseja ler em 2013.

Bem, os livros que eu amei de 2012 foram:
-O Festim dos Corvos, de George R.R. Martin;
-O Hobbit, de J.R.R. Tolkien;
-Labirinto, de Kate Mosse;
-Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;
-A Dança dos Dragões, de George R.R. Martin;
-Os Pilares da Terra, de Ken Follet;
-Inverno do Mundo, de Ken Follet;
-Admirável mundo novo, de Aldous Huxley;
-Laranja Mecânica, de Anthony Burgess
-O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo.

E os livros que eu pretendo ler em 2013 são:
-Mundo sem fim, Ken Follet;
-Os Miseráveis, de Victor Hugo (vou terminar nem que seja a última coisa que eu faça);
-O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo (não, a última coisa que vou fazer é terminar este);
-O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien;
-A Rainha, de Gabriela Castro (kkkkkkkkkkk pretendo terminar este "livro", colocar um pseudônimo e trocar o título, mas por enquanto, fica assim).

Os blogs escolhidos são os mesmos!

Bem, pessoal, este é o selinho de hoje! Daqui a pouco eu coloco uma Tag que a Dinda também me passou (fala a verdade: se não fosse minha madrinha, meu blog já tinha ido para o beleléu!)

Xerus!

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Continente, de Érico Veríssimo


Título Original:
O Continente
Autor(a):
Érico Veríssimo
Origem:
Brasil
Tradução:
*livro nacional*
Editora:
*sem informação*
Ano de publicação:
1947


Todo brasileiro leitor com um pouco de bom gosto tem a obrigação de ler O Tempo e o Vento, obra-prima de Érico Veríssimo. Admito: só li os três primeiros volumes (de quatro) por enquanto, mas pretendo ler outros livros até voltar para esta saga, com o objetivo aproveitar melhor a história. Portanto, meu conselho para quem irá começar é, entre os livros, ler outras obras para não ficar tão exaustivo.
José Lírio, popularmente conhecido como Liroca, está tomando coragem para atravessar a principal rua de Santa Fé e tomar posto na torre da igreja, onde vigiará o Sobrado, lar dos Terra Cambará. Por muito tempo, Liroca frequentou o Sobrado, sendo amigo íntimo de Licurgo Cambará, o patriarca, e apaixonado por Maria Valéria, cunhada de Licurgo. Mas agora ele precisa chegar até a igreja e impedir que os sitiados alcancem o poço de água.
A luta é entre federalistas e republicanos em um pequeno município no interior do Rio Grande do Sul no ano de 1895. Licurgo é o principal representante de um dos grupos em Santa Fé, enquanto Bento Amaral, “que domina Santa Fé politicamente”, e seu filho Alvarino estão do outro lado. A rivalidade entre os Amaral e os Cambará é antiga e será explicada em um dos capítulos do livro.
Partindo de Liroca e entrando no Sobrado, o clima é de tensão e medo, pois, além dos homens estarem sem água, comida e munição, a esposa e prima de Licurgo, Alice, está muito doente e em trabalho de parto. Por outro lado, Maria Valéria mantém a casa organizada e cuida da irmã e dos dois sobrinhos, Toríbio e Rodrigo, como uma rainha em seu castelo. Licurgo vigia a rua, seus homens e pensa em sua amante, Ismália Caré. Já Dona Bibiana (grande mulher), está sentada no sótão em sua cadeira de balanço. Quem vê aquela senhorinha caquética e caduca, jamais imaginaria a mulher forte e imponente que foi.
Os capítulos que se passam no Sobrado são basicamente sobre as situações destes personagens (Licurgo, Maria Valéria, Alice, Rodrigo, Toríbio e Bibiana). Outros personagens como Floriano, tio e sogro de Licurgo, e Fandango, o capaz do latifúndio dos Cambará, também aparecem e mostram sua importância.
No Continente também será narrada a origem da família, iniciando com Pedro Missionério, um jovem “índio” misterioso e místico, que foge de um massacre em sua vila e acaba na fazenda de Maneco Terra, um homem rijo, brutal, quase primitivo. Ele é pai de Ana Terra, uma bonita moça que, apesar de jamais ter saído de suas terras, é de uma coragem austera e inabalável. Ana, quase acidentalmente, engravida de Pedro, que é assassinado pelos irmãos Terra. Seu “desfrute” coloca à prova a coragem citada, quando Ana vê sua família rechaçá-la e ela dá à luz Pedro Terra, que será ignorado pelo avô (pelo menos, por um tempo).
Como bem sabemos, Rio Grande do Sul, por ser uma fronteira, vive assolado por guerras e conflitos. Ana Terra não fugiria deste carma. E mais uma vez, sua coragem entra em ação.
Depois de reviravoltas assustadoras, Ana e Pedro, acompanhados por uma cunhada e sua filha, partem com um comboio com destino para Santa Fé, uma recém-fundada vila por Ricardo Amaral. Nesta vila, Pedro se casará com Arminda e terá dois filhos: Juvenal e Bibiana.
Juvenal, quando já moço, conhecerá um certo Capitão Rodrigo Cambará: sedutor, boêmio, impulsivo, explosivo. Qualquer pai de família sentiria os pelos do corpo eriçarem se um homem como este se aproximasse de sua recata filha... Pedro Terra saberá descrever melhor esta situação quando Juvenal ajuda Rodrigo a se alojar na cidade e apresenta (indiretamente) sua irmã a ele.
Por um momento, Rodrigo, no calor de sua paixão por Bibiana, pensa em “endireitar a vida” para casar com a linda moça, porém encontrar concorrência em Bento Amaral. Não que isto seja um problema, pois ele é um Cambará e Cambará macho não foge.
Inicia uma rivalidade entre Cambará e Amaral que perdurará por anos. Rodrigo e Bento duelam certa noite, mas Bento foi desleal e quase assassina seu oponente. Rodrigo ficará aos cuidados de Bibiana e, com a ajuda do Padre Lara, consegue enfim casar-se com a moça (para o desagrado do Amaral). O casal têm três filhos: Bolívar, Anita e Leonor...
Mas esta alegria não dura por muito tempo: Rodrigo não consegue manter sua rotina ajuizada e começa a procurar por sua liberdade: jogo, bebida, mulher, guerra. Apesar de trazer uma imensa infelicidade para Bibiana, esta última ignora libertinagens do marido, focando-se no cuidado da casa e dos filhos. E esta já triste realidade se torna pior com o início da Guerra dos Farrapos, quando Rodrigo parte para os conflitos sem aviso.
Anos se passam depois das consequências da Guerra, Bolívar e seu primo Floriano se apaixonam pela mesma mulher: Luzia Silva, neta de Aguinaldo Silva. Porém, apesar de sua beleza estonteante, tem algumas peculiaridades que lhe rendem a antipatia de toda Santa Fé. Paradoxalmente, Bibiana incentiva seu filho a se casar com a moça... Mas qual seria o verdadeiro motivo daquela pacata e respeitada senhora?
Bolívar, apesar de ser magnificamente parecido com seu pai, de nada tem sua personalidade: é mais sentimental e não é entregue aos prazeres da vida. Por outro lado, seu amor cego por Luzia faz com que ele se entregue erroneamente às vontades sórdidas da mulher. Para a sorte do rapaz, ele pode contar com sua mãe que enfrentará a “teiniaguá” de frente.
Bolívar e Luzia tem um filho, Licurgo, que será sagazmente criado pela avó no Angico. Será neste latifúndio que o clã Caré se alojará. Sendo um Cambará, a paixão de Licurgo por Ismália será avassaladora e arriscada, principalmente com o casamento de Licurgo e Alice se aproximando.
O grande clã Terra Cambará passará por todos os grandes acontecimentos da história regional e nacional. E mais do que pela parte histórica, esta magnífica saga de Érico Veríssimo vale a pena pelo romance, pelos personagens, pela trajetória das famílias, do pensamento, das reflexões, pela mensagem. Desconfio que poucos livros conseguiram analisar tão profundamente a alma do homem. Uma pena que um livro tão maravilhoso seja tão pouco conhecido pelos brasileiros. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Selo para nós!

Sabe quando aquela vozinha do Universo sussurra no seu ouvida para fazer tal coisa e, quando você faz, viu que a vozinha tinha razão? Pois então! A Vozinha me sussurrou para esperar o selinho que nós ganhamos da Paula, do Palavras Empoeiradas... E eis que descubro que recebi o mesmo selinho da Bruna, da Curicultura.  Obrigada Vozinha!

  1. Nomear 15 blogs;
  2. Avisar a pessoa que você nomeou;
  3. Agradecer ao blog que te nomeou;
  4. Adicionar o post ao blog;
  5. Adicionar 7 coisas que você gosta.

Muito bem... Vamos começar com as coisas que eu gosto:

1. Ler
2. Nadar
3. Doces
4. Cinema
5. Músicas
6. Mar
7. Surpresas

E os quinze blogs!


E ai? Quais destes vocês seguem e gostam? Eu gosto de todos! kkkkkkkkkk
Xerus!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Tormenta de Espadas, de George R. R. Martin

Título Original:
A Storm of Swords
Autor(a):
George R.R. Martin
Origem:
EUA
Tradução:
Jorge Candeias
Editora:
Leya
Ano de publicação:
2000

Adoro livros que começam com emoção... Mas este começou com injeções de adrenalina. Estamos com Samwell Tarly, eterno amigo de Jon que está entre os selvagens a mando de Meia-Mão, que treina com um arco e flecha quando um sopro soa ao longe para a Patrulha da Noite. Um sopro significa irmãos retornando. Contudo logo em seguida, soa outro sopro, o que faz Sam se encolher: inimigos se aproximando. Eles precisavam se armar para enfrentar os selvagens quando, inexplicavelmente, soa o berrante uma terceira vez. Três sopros significam... Que é melhor você correr.
Partimos logo em seguida para Jaime Lannister que agora ganha voz na saga. Ele é prisioneiro de Catelyn Tully que, tonta do jeito que é, o mandou juntamente com Brienne of Tarth para trocá-lo por suas filhas (apesar de Arya já ter sumido). Um pouco do seu passado é revelado e explicado, mostrando que o Regicida não é tão destituído de honra quanto todos pensam. Na verdade, para mim, Jaime se mostrou um verdadeiro herói, sacrificando sua honra por um motivo maior. Os diálogos entre ele e Brienne são engraçados, mas também tem algumas mensagens: será que sabemos exatamente o que uma pessoa é só pelo o que ela aparenta ser e pelo o que os outros falam?
Arya, Torta Quente e Gendry que também devia ter um Quente no nome fugiram de Harrenhal em busca de Catelyn. Claro, como se trata da Arya, as coisas não saem como o planejado e ela encontra um aliado que ninguém imaginava. Ah! E a loba de Arya ainda está por ai, à espreita... Tenho fortes inclinações para acreditar que as duas se unirão novamente.
Tyrion se recupera da Batalha da Água Negra (levanta a mão quem pirou demais nesta batalha), após sua quase morte por um cavaleiro da Guarda Real, mas recebe outro golpe logo no começo deste livro: Lord Tywin é o novo Mão do Rei e ele, Tyrion, é deixado completamente de lado. Apesar de todos os seus esforços para manter a Fortaleza Vermelha, as coisas em Porto Real estavam péssimas e não melhoram em nada com o domínio de Tywin, apesar de toda a sua inteligência e sagacidade. Mas, claro! Como conhecemos Tyrion muito bem, ele não deixará isto barato e veremos do que ele é capaz ao fim do livro (grande Tyrion... sem trocadilho).
Davos ressurge dos mortos. Na Batalha da Água Negra, todos acreditavam que ele havia morrido, entretanto, neste livro veremos que o pirata sofreu terrores: isolado em uma “ilha” rochosa, longe de tudo e de todos, sem meios de ser salvo pois os navios não se aventuravam por aquelas águas graças aos recifes, comendo o que o mar o mandava, planejando sua morte mas sem coragem de executá-la. Por fim, milagrosamente, ele é resgato e levado ao lugar onde o rei Stannis refugiou-se. Entretanto, Davos tem planos mais urgentes do que ver seu rei: matar a mulher que o levou para a derrota, a sacerdotisa Melisandre.
Sansa já começa seu capítulo mostrando a Sonsa que é: Margaery Tyrell, que a substituiu no posto de futura rainha, a convida para um jantar. Logo no começo, Sansa é manipulada por Margaery e sua avó, a Rainha dos Espinhos, para casar-se com o irmão mais velho de Margaery. Obviamente que isto é um golpe dos Tyrell, pois assim eles teriam poder com os Lannister e com os Starks (já que Sansa seria a próxima na linha de sucessão do trono no Norte). Mas claro que Sansa não pensa nisto, vendo apenas a situação romanticamente. Ela também terá seu aliado para tentar fugir de Porto Real, mas esta parte é sempre exaustiva, pois eles só conversam, ação que é bom nunca aparece.
Já o meio-irmão delicinha de Sansa está passando por uma situação complicada e está com sérios problemas para se resolver com eles. Agora que ele “supostamente” passou para o lado dos selvagens, Jon começa a se perguntar sobre os seus valores e o que ele quer realmente da vida dele. Jon acaba por conhecer Mance, o rei além da Muralha, e vê que ele não é um bárbaro sem princípios. Na verdade, eu gostei muito deste personagem, ele se mostrou alguém sensível, com ideais e valores, até mesmo honrado. Entretanto, ele está do lado “errado”, daria um ótimo aliado, e tem péssimos companheiros. Há também uma personagem que, como vocês devem ter imaginado, ganhará destaque: Ygritte. Pelo amor, acho que todos que leram A Fúria dos Reis devem ter percebido que Jon ganhou uma “namorada”. Bem, na Tormenta, este relacionamento será desenvolvido e só piorará a indecisão de Jon.  
Daenerys, em minha opinião, simplesmente brilhou neste livro. Agora acompanhada do misterioso Barba Branca (atenção nele), Dany e seus lindos dragões partirão para tomar cidades e mostrar o poder de um Targaryen. A nascida da Tormenta mostra que deixou de ser a menina assustada do primeiro livro e agora está pronta para ser uma rainha poderosa, implacável, mas também justa. Sua sagacidade com os Imaculados (sem muitos detalhes) é surpreendente, apesar de eu tê-la achado... Um tanto quanto tosca. Não explicarei muito este ponto para evitar spoiler.
Já Bran, julgado morto, caminha com Hodor, Meera e Jojen atrás do corço de três olhos. São capítulos bem exaustivos, mas também cheio de entrelinhas que você precisa estar esperto para pegar. Bran começará a treinar com Jojen para controlar melhor sua capacidade de trocar de pele com Verão, pois é muito custoso para o garoto deixar sua liberdade de lobo para aprisionar-se no corpo de aleijado. O objetivo é a Muralha e eles contarão no final com um aliado inacreditável.
Catelyn continua a mesma decepção de sempre. O único benefício dos seus capítulos é quando meu lindo e maravilhoso Robb aparece. Vale também lembrar o quanto Robb amadureceu, tornando-se um rei firme, persistente, capaz. Entretanto, assim como seu falecido pai, Robb é honrado e isto poderá ter seu preço (como aconteceu com Ned). Catelyn tem seus longos diálogos com seu irmão Edmure, seu tio Brynden Peixe-Negro e vela pelo seu pai moribundo. Ela também se recrimina por deixar partir Jaime Lannister, pois isto custou a lealdade de alguns vassalos de seu filho.
Este foi o livro mais triste da saga, pois sofri uma grande perda. Relaciono o nome do livro com o número de mortos que tem neste volume. Entretanto, esta obra... Ah, já disse que sou suspeita para elogiar ASOIF, sou uma westerosi (uma Stark). Não tenho nem o que falar de George R.R. Martin, ele é um gênio. Ele é surpreendente, levando o leitor por uma linha – que ele julga saber o final – de repente muda o curso e mostra que estavam todos enganados. Por isso ficou desconfiada de todas as teorias que existem sobre a saga: Martin é cheio de surpresas.  
P.S.: não se deixe assustar pelo tamanho do livro. Sim, ele é um colosso, mas a história vale a pena.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez


Título Original:
Cien años de soledad
Autor(a):
Gabriel García Márquez
Origem:
Colombia
Tradução:
Eliane Zagury
Editora:
Record
Ano de publicação:
1967


Esta obra é tão complexa que eu demorei quase um mês para enfim começar a escrever esta resenha. Se você não quer um livro que analise o ser solitário que habita em cada um e suas peculiaridades, desista deste livro. Se você quer um livro fora do habitual, um livro cheio de entrelinhas e “duplo sentidos”, pode apostar nesta obra.
Apesar de o livro não começar exatamente neste ponto, a história começa com José Arcadio Buendía e Úrsula, casados há um ano, quando um boato começa a correr o povoado onde eles moram: Úrsula ainda é virgem por ser marido ser impotente. Um dia, em uma briga de galo, José Arcadio é provocado por Prudencio Aguilar sobre a verossimilidade do rumor. Sem se alterar, José mata Prudencio, mas o espírito do morto começa a assombrá-lo. Para que a alma do infeliz pudesse descansar em paz, José Arcadio e Úrsula, seguidos por amigos atraídos pela aventura, partem do povoado onde vivem para descer a serra.
Durante a empreitada, nasce o primeiro filho do casal: José Arcadio, cujo filho bastardo, mais a frente, será um problema terrível para todos e dará continuidade ao clã dos Buendía.
A expedição termina depois de muito tempo, quando José Arcadio desiste de encontrar o mar e funda o pequeno povoado de Macondo, com suas casas de barro e taquara dispostas estrategicamente para que todos fizessem o mesmo esforço para buscar água e recebessem sol à mesma maneira. José Arcadio distribuiu muitos pássaros para serem postos na varanda, mas sua cantoria quase levou Úrsula à loucura.
O primeiro bebê a nascer em Macondo foi o segundo filho Buendía: Aureliano. Este será um dos personagens mais importantes do livro, onde a narrativa se foca por algum tempo. É com ele diante do pelotão de fuzilamento que se inicia a história (começa com emoção, amei) e ele se lembra da primeira vez que visualizou o gelo.
Lembram-se dos pássaros nas varandas? Pois eles trariam a Macondo uma turba de ciganos que estavam perdidos na serra, mas acharam-se graças à cantoria no povoado. Junto com eles, estava Melquíades, que terá grande influência do destino das Boendía.
Serão estes ciganos que trarão para Macondo o gelo e levarão dos Buendía o seu primogênito, que se apaixonou por uma cigana e abandonou em Macondo uma mulher grávida. Quando retorna, está totalmente mudado e se casa com sua irmã de criação Rebeca, cuja origem é um grande mistério.
Rebeca apareceu na casa dos Boendía ainda criança e órfão, alegando ser um parente distante, apesar de ninguém se lembrar de seus pais. Rebeca, porém, trazia um grande mal consigo: a “praga” da insônia. Também tinha o hábito de comer terra e o cal das paredes, além de chupar o dedo mesmo apesar de grande. Ela se tornaria um grande problema para a terceira filha de Úrsula, Amaranta, pois ambas se apaixonam pelo mesmo homem, mas depois de muitas reviravoltas, ela se casa com seu irmão de criação.
Além da insônia que encobriu os moradores de Macondo, outras desgraças assolarão o povoado. A desgraça da banana e a chuva tomarão Macondo inteira, mas os principais infortúnios estão enlaçados no sangue Buendía, amaldiçoados com a principal catástrofe da alma humana: a solidão.
Como eu disse ali em cima, há muitas entrelinhas e duplos sentidos. Gabriel García Márquez explora as infelicidades da mente e as coloca em aspectos físicos de seus personagens (por exemplo, o primeiro Aureliano passa o fim da sua vida fazendo peixinhos de ouro, pecinhas que fizera para sua mulher Remedios, sendo que esta última morrera muito cedo, deixando-o em um profundo estado de tristeza). Apesar de ainda não ter lido nenhum outro livro dele, acredito que Cem anos de solidão deve ser a sua maior obra, além de uma das maiores de toda a história literária. Já vi em muitos sites que este livro está entre os cem melhores de todos os tempos – e convenhamos, ele fica na lista com folga.
Espero que tenham gostado da resenha. E mais uma vez, desculpem a falta de comprometimento.
Xerus!



domingo, 13 de janeiro de 2013

As leituras de 2012


Olá, meus queridos leitores! Desculpem não ter desejado ainda um bom 2013... Mas antes tarde do que nunca não é? Desejo muitas felicidades e livros para vocês!!

2012 foi um ótimo ano para leituras (pelo menos para mim). Vou mostrar a vocês os livros que eu li no ano passado!


01. 1808 (BOM)
Gomes, Laurentino
São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007
Literatura brasileira







02. Cem anos de solidão (BOM)
García Márquez, Gabriel
Tradução: Eliane Zagury
Rio de Janeiro: Record, 2007
Romance colombiano


03. O festim dos corvos (ACIMA DA CLASSIFICAÇÃO hehe)
Martin, George R.R.
Tradução: Jorge Candeias
São Paulo: Leya, 2012
Literatura norte-americana




04. A linguagem das flores (REGULAR)
Diffenbaugh, Vanessa
Tradução: Fabiano Morais
São Paulo: Arqueiro, 2011
Romance americano


05.Memórias de um sargento de milícias (REGULAR)
Almeida, Manuel Antônio de
São Paulo: Martin Claret, 2010
Romance brasileiro

 06. Labirinto (EXCELENTE)
Mosse, Kate
Tradução: Fernanda Abreu
Rio de Janeiro: Objetiva, 2006
Literatura inglesa


07. O Hobbit (ÓTIMO)
Tolkien, J.R.R.
Tradução: Lenita Maria Rímol Esteves
São Paulo: Editora WMF Martins Fontes
Ficção inglesa






08. Noite na Taverna (BOM)
Azevedo, Álvarez de
São Paulo: Moderna, 2004
Romance brasileiro









09. Lúcia McCartney (BOM)
Fonseca, Rubem
Rio de Janeiro: Agir, 2009
Conto brasileiro


10. Orgulho e preconceito (ÓTIMO)
Austen, Jane
Tradução: Celina Portocarrero
Porto Alegre, RS: L&PM, 2010
Romance inglês






11. A Dança dos Dragões (ACIMA DA CLASSIFICAÇÃO kkkkk)
Martin, George R.R.
Tradução: Marcia Blasques
São Paulo: Leya, 2012
Ficção fantástica norte-americana




12. Os Pilares da Terra (MUITO BOM)

Follett, Ken
Tradução: Paulo Azevedo
Rio de Janeiro: Rocco, 2012






13. O Seminarista (MUITO BOM)
Fonseca, Rubem
Rio de Janeiro: Agir, 2009
Romance brasileiro


14. Um gato entre os pombos (BOM)
Christie, Agatha
Tradução: Jorge Ritter
Porto Alegre, RS: L&PM, 2011
Ficção policial inglesa






15. Senhora (BOM)
Alencar, José de
São Paulo: Martin Claret, 2012
Romance brasileiro


16. O Cortiço (BOM)
Azevedo, Aluízio 
São Paulo: Lafonte, 2012
Romance brasileiro







17. Laranja Mecânica (MUITO BOM)
Burgess, Anthony
Tradução: Fábio Fernandes
São Paulo: Aleph, 2004
Ficção inglesa


18. Inverno do Mundo (EXCELENTE)
Follett, Ken
Tradução: Fernanda Abreu
São Paulo: Arqueiro, 2012
Ficção histórica inglesa






19. Admirável mundo novo (MUITO BOM)
Huxley, Aldous
Tradução: Lino Vallandro e Vidal Serrano
São Paulo: Globo, 2009







 20. Assassinato na casa do pastor (MUITO BOM)
Christie, Agatha
Tradução: Henrique Guerra
Porto Alegre, RS: L&PM, 2012
Romance policial inglês


21. O Continente - O Tempo e o Vento 1 (ÓTIMO)
Veríssimo, Érico
São Paulo: Editora Globo S.A.
Romance brasileiro 







22. O Retrato - O Tempo e o Vento 2 (ÓTIMO)
Veríssimo, Érico
São Paulo: Editora Globo S.A.
Romance brasileiro







E ai? Quais destes livros vocês leram? E concordam com as minhas classificações? 
Bem, um ótimo 2013 para todos!!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Inverno do Mundo, Ken Follet

Título Original:
Winter of the World
Autor(a):
Ken Follet
Origem:
Inglaterra
Tradução:
Fernanda Abreu
Editora:
Arqueiro
Ano de publicação:
2012


Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia “O Século” e relatará os grandes acontecimentos da Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista das cinco famílias protagonistas do romance anterior. Para quem não lembra muito bem ou não leu “Queda de Gigantes”, um rápido flashback e um “tome vergonha, porque este livro é maravilhoso”.
Billy Williams é um jovem galês de treze anos que começa sua vida de minerador, mas será um grande soldado durante a Grande Guerra. Ele é irmão da linda, inteligente e confiante Ethel, que trabalha na mansão de Ty Gwyn, pertencente ao jovem e conservador conde Fitzherbert. Ambos têm uma paixão avassaladora um pelo outro, porém Fitz é casado e teme perder seu prestígio. Portanto, quando Ethel descobre estar grávida, Fitz a manda embora. Este último é irmão da moderna e vistosa Maud, que é apaixonada pelo amigo alemão de seu irmão, Walter von Ulrich. Obviamente, quando a guerra começar, Fitz e Walter ficarão em frentes opostas. Maud e Walter se casam antes da guerra começar, o que irá enfurecer Fitz quando descobrir e fará os irmãos cortarem relações. Já na distante Rússia, Grigori Peshkov sonha em viajar para os EUA, onde poderá ter uma vida melhor, mas seu irmão Lev, inconsequente e audacioso, precisa fugir da polícia e parte no lugar de Grigori, deixando para trás a mulher que seu irmão ama grávida. Já nos EUA, Lev ficará em Buffalo, onde será choffer de Olga e seu amante. Entretanto, ela estava prometida a Gus Dewar, que apesar da inteligência, dá a entender que é um “banana”. Gus, entretanto, logo esquece Olga e começa uma leve relação com Rosa, uma bela jornalista.
Estas pessoas cruzam na vida umas das outras e estão intrinsecamente ligadas à Grande Guerra. Para quem quer entender o que aconteceu naquele período sem se perder nos detalhes sórdidos e com um bom toque de romance, este é o livro indicado.    
Já Inverno do Mundo continuará com os filhos dos personagens citados acima. Começará com a jovem Carla von Ulrich quando o Terceiro Reich assume a Alemanha. Ela tem uma grande personalidade como a mãe, sonha em ser média e é apaixonada pelo irmão de sua melhor amiga Frieda, Werner. Seu irmão Erik que é um imbecil cego e Maria-vai-com-as-outras está superentusiasmado, pois é aliado do partido nazista. Paradoxalmente, o pai de Carla e Erik é um dos principais membros do partido sócio-democrata (o que dará alguns problemas futuros). Apesar de Erik ser mais velho, ele não é tão maduro quando Carla. A vida de Carla sofrerá grandes reviravoltas e ela precisara ser forte e confiante para sobreviver ao que a Alemanha irá se tornar.
Quando o Terceiro Reich assume, os von Ulrich recebiam a visita de Ethel, velha amiga do casal, e seu lindíssimo, maravilhoso, estupendo e apaixonante filho Lloyd. Este último não sabe que na verdade é filho de um grande conde, o que causaria horror a ele, já que, assim como sua mãe, despreza tudo o que a aristocracia representa. Lloyd desde o começo presenciará o horror do nazismo e da guerra.
Entretanto, apesar de todos os seus ideais e perfeições, ele se apaixonada por um tipinho desprezível: Dayse Peshkov, filha de Lev e Olga. Fútil ao extremo, seu mundo gira ao redor de festas, popularidade, dinheiro e roupas. Seu grande sonho é casar com algum herdeiro de grande fortuna e status, e logo vê sua “vítima” em Boy Fitzherbert, filho do Conde Fitz e meio-irmão de Lloyd. Dayse, entretanto, sofre um pouco com seu pai, já que ele está sempre ausente, mas tem uma grande fama de gangster e não tenta esconder seu fraco por mulheres. Dayse até mesmo conhece um filho bastardo de seu pai, Greg, e chegam até a se dar bem.
Mas se você pensa que vai odiar Dayse do começo ao fim, se engana: a guerra tem o poder de transformar as pessoas... Apesar de outros fatos terem uma influencia bem maior no coração de Dayse, que passará de fútil para determinada e corajosa.
Voltando a Greg, ele tem uma grande admiração e respeito por seu pai. Ambiciona ser tudo o que seu pai representa e está disposto a fazer qualquer coisa para conseguir... Até que ele conhecerá uma linda jovem, Jacky Jakes, que mudará seu modo de encarar o modo de ser do seu pai. Greg mudará de rumo e ficará mais ligado à guerra do que qualquer outro personagem, pois ele estará ligadíssimo às bombas atômicas.
Além de Dayse e Greg, ainda há o terceiro filho de Lev, Volodya, que mora na União Soviética. Ele pensa ser filho de Grigori (sorte dele) e a posição deste último no governo garantirá um futuro brilhante para este que é um dos personagens, em minha opinião, que mais interfira na Guerra. Sua grande habilidade na espionagem será de suma importância para sua nação contra os ataques nazistas (não posso deixar de dizer que as habilidades de Volodya me assustam). Além do que, as grandes vantagens que seu pai dispõe oferecem à Volodya um estudo qualificado na Alemanha, onde ele conhecerá duas personalidades que o ajudarão muito para a espionagem russa. E para terminar, Volodya também terá um amor, Zoya, cientista brilhante que, assim como Greg, se envolverá com as bombas atômicas.
Por fim, vem os queridíssimos americanos, Woody e Chuck Dewar. Woody, assim como os pais, é de grande inteligência e segue a carreira política, apesar de suas grandes paixões serem a fotografia (que realiza com grande destreza) e a admirável Joanne Rouzrokt, três anos mais velha. Já Chuck se alista na Marinha Chuck, seu lindo, te amo do fundo do meu s2, o que espanta toda a sua família. Entretanto, apesar da grande desenvoltura e amabilidade de Chuck, ele guarda um grande segredo que representará grandes perigos para ele no futuro.
Assim como seus pais, cada um destes personagens representará um papel crucial na Segunda Guerra, grande ou pequeno, direta ou indiretamente. Sempre se cruzando, suas vidas estão enlaçadas como fios de uma rede. Uns eu amo, outros eu desprezo e alguns eu não vejo a hora de morrerem. Mas principalmente, a grande maioria me surpreendeu, até mesmo os personagens do livro anterior. Eles encaram a guerra de frente, com uma determinação e coragem que colocaria de joelhos muitos “machos”.
Claro, não posso deixar de falar sobre a parte histórica. Sem sombra de dúvida, em minha e em várias opiniões, a mais assustador foi Pearl Harbor. Narrada com detalhes minuciosos, transmitindo o terror do momento, foi uma das melhores partes do livro e uma das mais tristes. A Guerra civil Espanhola também foi formidável, apesar de ser um pouco mais indireta.
Minha grande decepção foi o ataque a Hiroshima... No máximo, uma página sobre o caso. Pensei que o motivo estava no tamanho do livro, que já estava enorme e não era cabível acrescentar as bombas, ou porque não havia personagens no Japão... Mas minha mente maldosa culpou os sempre enaltecidos EUA. Não há dúvidas que as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram um dos maiores erros da História da Humanidade. Pensei que as bombas não foram bem detalhadas, e Pearl Harbor sim, para manter a imagem dos japoneses de vilões. Não sei se os outros leitores de Inverno do Mundo repararam, mas os japoneses sempre eram cruéis, mas cá entre nós, o Japão é uma grande nação guerreira e honrada. Os ataques em território americano foram durante o conflito e não quando o inimigo estava derrotado, destruído. Acho que muitos não irão concordar comigo, mas quando esta ideia apareceu em minha cabeça, não tinha como tirá-la.
Contudo, isto não muda em nada minha opinião sobre o livro: arrebatador. Um colosso de excelência e bota colosso nisso. Quando terminei o livro, uma melancolia atacou tão forte meu peito que quase chorei. Acrescentei duas paixões para a minha vida: Lloyd e Chuck apesar de que este último... hehe. Com esta fantástica sequência, Ken Follet passou a ser meu novo escritor de cabeceira. Sua maneira delirante de escrever com detalhes e com paixão me encanta e me inspira. O próximo livro, infelizmente, só será lançado em 2014, sobre a Guerra Fria, mas ainda com as mesmas famílias. Ansiosa? Imagina... Esta saga está quase assumindo a poli position dos meus Tops. George R.R. Martin que apresse Os Ventos do Inverno, ou ficará para trás. Bem, este é mais um dos Tops e superrecomendado.
Desejo a todos vocês, meus lindos leitores, um ótimo Natal, um maravilhoso 2013 e muitos livros!
Xerus!   
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