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domingo, 14 de julho de 2013

Os Miseráveis, de Victor Hugo

Título Original:
Les Misérables
Autor(a):
Victor Hugo
Origem:
França
Tradução:
Frederico Ozanam Pessoa de Barros
Editora:
Cosacnaify
Ano de publicação:
1862


Nunca amei tanto um livro e demorei tanto para terminá-lo. Só para constar, ainda não terminei. Mas ele está sem sombra de dúvida entre os melhores que já li na minha vida. Se existiu alguém de descrever uma emoção, uma sensação ou a mente de um homem, este alguém é Victor Hugo. Em Os Miseráveis, ele mostrará que a luta que ele travou contra sua família pelo seu sonho nas letras valeu a pena, pois imortalizará seu nome.
O livro começará com uma descrição detalhada do ser Bienvenu Myriel, bispo de Digne, um homem idoso tão puro, bom e justo que pode ser considerado um santo. Diferente de qualquer clérigo, Sr. Myriel visa a simplicidade e encontra beleza e bondade em qualquer lugar. Não sou nem de longe a poderosa escritora que Victor Hugo foi, portanto o máximo que posso fazer é dar uma silhueta da personalidade, da mente e da alma deste bom homem que influenciará o grilheta Jean Valjean.
Em uma França cheia de fome e frio, Jean Valjean, apesar de seu trabalho como jardineiro, vê-se forçado a roubar pão para alimentar sua irmã e seus sobrinhos, mas é pego e levado para trabalhar por cinco anos nas galés: um lugar tenebroso, que transforma o ser humano em um ser obscuro e desconfiado, como se roubasse sua alma e deixasse apenas o corpo como uma casca oca. Valjean tenta fugir várias vezes, mas é pego em todas, precisando cumprir dezenove anos. Ele se destaca nas galés pela força descomunal, o que poderá trazer alguns problemas futuros. Quando enfim cumpre sua pena, Jean Valjean fica marcado para sempre como antigo grilheta, o que impede que ele arranje um emprego e possa matar sua fome.
Ele vaga sem um destino, até chegar a Digne, onde é rechaçado como em todos os outros lugares por todas as pessoas, até mesmo pelo cachorro. É quando ele encontra o bispo, que, com toda a sua bondade e luz, acolhe Valjean, alimenta-o e deixa-o dormir sob seu teto. Valjean, por outro lado, durante a noite, resolve fugir com a prataria do bispo, mas é pego e levado à presença de Myriel.
Porém, para a surpresa de todos, o bispo diz que a prataria é um presente para Valjean, desde que ele use-a para o bem de sua alma. É com este gesto que Valjean  sofre uma extraordinária mudança em seu interior. Assim como seu benfeitor, Valjean irá buscar a beleza, a bondade e a pureza das coisas a partir da esperança que Bienvenu lhe deu.
Já em outro ponto da história, anos depois, seremos apresentados a Fantine, uma linda e virginal jovem apaixonada por Tholomyès, jovem da elite francesa que, assim como todos os rapazes de sua idade, dá um alto valor à diversão e prazer. Ele é líder de um grupo de quatro jovens, todos estudantes, e que se divertem com algumas jovens costureiras pelos jardins e parques de Paris. Tholomyés vê sua relação com Fantine como apenas um “namorico” qualquer, enquanto a moça se entrega de corpo e alma a ele, fazendo todas as suas vontades. Esta sujeição causa grandes dores para Fantine quando, em uma brincadeira dos rapazes, ela se vê sozinha e com uma filha.
Como era mãe solteira, Fantine está com seu nome manchado e precisa deixar a cidade para conseguir um emprego e poder sobreviver. Porém sua filha Eufrásia, apelidada e conhecida como Cosette, poderá atrapalhar na busca pelo trabalho e Fantine não consegue sustentar ambas.
Um dia, vendo uma mãe brincar com suas duas filhas bebes, Fantine decide deixar Cosette aos cuidados da mulher, prometendo mandar dinheiro para as despesas e roupas, desde que Cosette seja bem tratada e alimentada. A mulher concorda e Fantine parte para Montreuil-sur-Mer, cidade onde ela nascera. Porém, enquanto Fantine decaia, sua terra prosperava com a indústria de miçangas cujo sucesso devia-se a um estranho viajante e sua esperteza. Este viajante era um homem muito bom e em pouco tempo tornou-se Maire da cidade, sendo admirado e respeitado por todos. Seu nome era Madeleine.
Porém, há sempre alguém que nos olha atravessado. Madeleine é alvo de desconfiança de Javert, inspetor de polícia, que vê no misterioso Maire muitas semelhanças com um antigo grilheta de força hercúlea que sumiu muitos anos atrás. Bem, acho que não será nenhum spoiler contar que Madeleine na verdade é nosso Valjean e Javert estava certo em desconfiar dele. Porém, meu caro leitor, não tome Javert como um inimigo: ele é apenas um homem dotado de honra e senso de dever acima do comum. Portanto ele seguira Valjean até o Inferno se este for seu dever.
Mas Valjean tem seus próprios deveres, como ajudar Fantine que caiu em tremenda desgraça e está muito doente (os promenores da vida de Fantine são fantásticos. O desespero e os infortúnios pelo qual ela passa levariam qualquer outro ao suicídio. E este seria sua escolha se ela não tivesse Cosette esperando-a). O último desejo de Fantine é ver sua filha e Valjean se dispõe a ir.
Contudo, outras adversidades se sobrepõem e Valjean tem que escolher entre seu senso de dever para com uma mulher a beira da morte e seu senso de justiça para com um homem que será julgado injustamente em seu lugar. A crise e a batalha interior que Valjean trava pode ser um pouco maçante, pois levam longos capítulos para terminarem, mas como eu disse Victor Hugo tem um poder descritivo impressionante.
Os fatos se desenrolam e Valjean acaba indo resgatar Cosette. A pobre menina, antes tão bonita, agora é apenas ossos tremendo de frio e dor, pois a mulher que prometeu cuidar da menina na verdade é um monstro, assim como seu marido. Os Thénardier são a pior raça de malfeitores e oportunistas que se pode ter ideia, aproveitando-se de qualquer desleixo para roubar e ganhar às custas dos outros.
O momento em que Cosette é apresentada sofrendo nas mãos dos Thénardier pode levar qualquer um às lágrimas. Não duvido que muitas crianças passam pelos abusos de pessoas como eles, o que só aumentou minha indignação e aflição.
Por outro lado, a pequena humilhação que Valjean (disfarçado) inflige àqueles seres dos esgotos satisfaz quem se incomodou com a situação.
Mas Valjean precisa ser um pouco mais rápido para fugir de Javert que se aproxima e leva Cosette dos Thénardier. Ele encontrará abrigo graças à sua benevolência e poderá enfim sumir, dando uma vida descente à Cosette e aproveitar o que resta de sua vida.
Outros anos se passam e partimos para a parte mais interessante do livro quando somos apresentamos para o último personagem deste volume: Marius Pontmercy. Como diz nas notas de rodapé, Victor Hugo se inspirou muito em si mesmo para criar Marius, principalmente em relação à falta de apoio da família. Marius é neto um homem rico, mas o que ele busca está além do alcance do dinheiro: ele procura uma razão para si mesmo. Ele encontrará seu porto seguro no falecido pai, um herói de Waterloo, mas todas as suas convicções são postas à prova quando ele entra em um grupo de jovens revolucionários que se denomina amigos do ABC. Marius também tem uma grande dívida deixada pelo seu pai: agradecer a um estranho homem chamado Thérnadier que salvou a vida dele em Waterloo. Na verdade, Thérnadier roubava Pontmercy, julgando-o morto, e acaba por salva-lo acidentalmente.
Por falar neles, os Thérnadier se mudaram para Paris depois de perder sua pousada e estão todos alojados sob o nome de Jondrette em um único quarto e, coincidentemente, o quarto ao lado pertence a Marius.
Em um passeio por um jardim, Marius avista uma bonita jovem e seu pai velho... Deixemos os mistérios de lado, a jovem era Cosette e Valjean. Apesar de viver aprisionado no escuro de sua mente, Marius se apaixona por Cosette, apesar de nem mesmo saber seu nome ou nunca ter trocado uma palavra com ela. O mais curioso é o sentimento ser recíproco.
Contudo, Thénardier não é homem que se esquece de seus velhos inimigos. Valjean está na lista. Quando por uma infelicidade do destino os dois se encontram, Thénardier cria um diabólico plano para vingar-se, que envolve Cosette. Enquanto escuta atrás da parede, Marius descobre a verdadeira identidade de Thénardier e fica entre cumprir sua promessa que fez ao pai e salvar a mulher que ama.
Vale lembrar ainda um personagem que pouco aparece, mas que eu tenho certeza que aparecerá no próximo volume: Gavroche, o filho mais novo dos Thénardier. Ele é mostrado como um exemplo de menino de rua, que pode ser a definição perfeita das ruas de Paris.
Bem, além do romance, o livro também tratará a relação política na França pós-revolução. Os grupos ainda são bem distintos e hostis uns aos outros, mas nenhum consegue salvar o povo francês que afunda na fome. Eu, como sou ligada mais à ficção e ao romance, não dei o devido valor a esta parte da história, mas tenho certeza que você, que adora sociologia ou história, vai simplesmente “pirar”. Não podemos esquecer ainda a descrição absurdamente linda da batalha de Waterloo. Se você tem alguma dúvida quanto ao que foi, não terá mais, pois saberá dos pormenores.

Victor Hugo, como eu já disse, tem um talento especial para a descrição e criação. Não há dúvidas ou furos em sua história. Como eu já deixei bem clara minha opinião sobre o livro, o autor e a narrativa, não vou me estender. Esta foi uma resenha para recomeçar o blog com chave de ouro!  Xerus! 

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Continente, de Érico Veríssimo


Título Original:
O Continente
Autor(a):
Érico Veríssimo
Origem:
Brasil
Tradução:
*livro nacional*
Editora:
*sem informação*
Ano de publicação:
1947


Todo brasileiro leitor com um pouco de bom gosto tem a obrigação de ler O Tempo e o Vento, obra-prima de Érico Veríssimo. Admito: só li os três primeiros volumes (de quatro) por enquanto, mas pretendo ler outros livros até voltar para esta saga, com o objetivo aproveitar melhor a história. Portanto, meu conselho para quem irá começar é, entre os livros, ler outras obras para não ficar tão exaustivo.
José Lírio, popularmente conhecido como Liroca, está tomando coragem para atravessar a principal rua de Santa Fé e tomar posto na torre da igreja, onde vigiará o Sobrado, lar dos Terra Cambará. Por muito tempo, Liroca frequentou o Sobrado, sendo amigo íntimo de Licurgo Cambará, o patriarca, e apaixonado por Maria Valéria, cunhada de Licurgo. Mas agora ele precisa chegar até a igreja e impedir que os sitiados alcancem o poço de água.
A luta é entre federalistas e republicanos em um pequeno município no interior do Rio Grande do Sul no ano de 1895. Licurgo é o principal representante de um dos grupos em Santa Fé, enquanto Bento Amaral, “que domina Santa Fé politicamente”, e seu filho Alvarino estão do outro lado. A rivalidade entre os Amaral e os Cambará é antiga e será explicada em um dos capítulos do livro.
Partindo de Liroca e entrando no Sobrado, o clima é de tensão e medo, pois, além dos homens estarem sem água, comida e munição, a esposa e prima de Licurgo, Alice, está muito doente e em trabalho de parto. Por outro lado, Maria Valéria mantém a casa organizada e cuida da irmã e dos dois sobrinhos, Toríbio e Rodrigo, como uma rainha em seu castelo. Licurgo vigia a rua, seus homens e pensa em sua amante, Ismália Caré. Já Dona Bibiana (grande mulher), está sentada no sótão em sua cadeira de balanço. Quem vê aquela senhorinha caquética e caduca, jamais imaginaria a mulher forte e imponente que foi.
Os capítulos que se passam no Sobrado são basicamente sobre as situações destes personagens (Licurgo, Maria Valéria, Alice, Rodrigo, Toríbio e Bibiana). Outros personagens como Floriano, tio e sogro de Licurgo, e Fandango, o capaz do latifúndio dos Cambará, também aparecem e mostram sua importância.
No Continente também será narrada a origem da família, iniciando com Pedro Missionério, um jovem “índio” misterioso e místico, que foge de um massacre em sua vila e acaba na fazenda de Maneco Terra, um homem rijo, brutal, quase primitivo. Ele é pai de Ana Terra, uma bonita moça que, apesar de jamais ter saído de suas terras, é de uma coragem austera e inabalável. Ana, quase acidentalmente, engravida de Pedro, que é assassinado pelos irmãos Terra. Seu “desfrute” coloca à prova a coragem citada, quando Ana vê sua família rechaçá-la e ela dá à luz Pedro Terra, que será ignorado pelo avô (pelo menos, por um tempo).
Como bem sabemos, Rio Grande do Sul, por ser uma fronteira, vive assolado por guerras e conflitos. Ana Terra não fugiria deste carma. E mais uma vez, sua coragem entra em ação.
Depois de reviravoltas assustadoras, Ana e Pedro, acompanhados por uma cunhada e sua filha, partem com um comboio com destino para Santa Fé, uma recém-fundada vila por Ricardo Amaral. Nesta vila, Pedro se casará com Arminda e terá dois filhos: Juvenal e Bibiana.
Juvenal, quando já moço, conhecerá um certo Capitão Rodrigo Cambará: sedutor, boêmio, impulsivo, explosivo. Qualquer pai de família sentiria os pelos do corpo eriçarem se um homem como este se aproximasse de sua recata filha... Pedro Terra saberá descrever melhor esta situação quando Juvenal ajuda Rodrigo a se alojar na cidade e apresenta (indiretamente) sua irmã a ele.
Por um momento, Rodrigo, no calor de sua paixão por Bibiana, pensa em “endireitar a vida” para casar com a linda moça, porém encontrar concorrência em Bento Amaral. Não que isto seja um problema, pois ele é um Cambará e Cambará macho não foge.
Inicia uma rivalidade entre Cambará e Amaral que perdurará por anos. Rodrigo e Bento duelam certa noite, mas Bento foi desleal e quase assassina seu oponente. Rodrigo ficará aos cuidados de Bibiana e, com a ajuda do Padre Lara, consegue enfim casar-se com a moça (para o desagrado do Amaral). O casal têm três filhos: Bolívar, Anita e Leonor...
Mas esta alegria não dura por muito tempo: Rodrigo não consegue manter sua rotina ajuizada e começa a procurar por sua liberdade: jogo, bebida, mulher, guerra. Apesar de trazer uma imensa infelicidade para Bibiana, esta última ignora libertinagens do marido, focando-se no cuidado da casa e dos filhos. E esta já triste realidade se torna pior com o início da Guerra dos Farrapos, quando Rodrigo parte para os conflitos sem aviso.
Anos se passam depois das consequências da Guerra, Bolívar e seu primo Floriano se apaixonam pela mesma mulher: Luzia Silva, neta de Aguinaldo Silva. Porém, apesar de sua beleza estonteante, tem algumas peculiaridades que lhe rendem a antipatia de toda Santa Fé. Paradoxalmente, Bibiana incentiva seu filho a se casar com a moça... Mas qual seria o verdadeiro motivo daquela pacata e respeitada senhora?
Bolívar, apesar de ser magnificamente parecido com seu pai, de nada tem sua personalidade: é mais sentimental e não é entregue aos prazeres da vida. Por outro lado, seu amor cego por Luzia faz com que ele se entregue erroneamente às vontades sórdidas da mulher. Para a sorte do rapaz, ele pode contar com sua mãe que enfrentará a “teiniaguá” de frente.
Bolívar e Luzia tem um filho, Licurgo, que será sagazmente criado pela avó no Angico. Será neste latifúndio que o clã Caré se alojará. Sendo um Cambará, a paixão de Licurgo por Ismália será avassaladora e arriscada, principalmente com o casamento de Licurgo e Alice se aproximando.
O grande clã Terra Cambará passará por todos os grandes acontecimentos da história regional e nacional. E mais do que pela parte histórica, esta magnífica saga de Érico Veríssimo vale a pena pelo romance, pelos personagens, pela trajetória das famílias, do pensamento, das reflexões, pela mensagem. Desconfio que poucos livros conseguiram analisar tão profundamente a alma do homem. Uma pena que um livro tão maravilhoso seja tão pouco conhecido pelos brasileiros. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Tormenta de Espadas, de George R. R. Martin

Título Original:
A Storm of Swords
Autor(a):
George R.R. Martin
Origem:
EUA
Tradução:
Jorge Candeias
Editora:
Leya
Ano de publicação:
2000

Adoro livros que começam com emoção... Mas este começou com injeções de adrenalina. Estamos com Samwell Tarly, eterno amigo de Jon que está entre os selvagens a mando de Meia-Mão, que treina com um arco e flecha quando um sopro soa ao longe para a Patrulha da Noite. Um sopro significa irmãos retornando. Contudo logo em seguida, soa outro sopro, o que faz Sam se encolher: inimigos se aproximando. Eles precisavam se armar para enfrentar os selvagens quando, inexplicavelmente, soa o berrante uma terceira vez. Três sopros significam... Que é melhor você correr.
Partimos logo em seguida para Jaime Lannister que agora ganha voz na saga. Ele é prisioneiro de Catelyn Tully que, tonta do jeito que é, o mandou juntamente com Brienne of Tarth para trocá-lo por suas filhas (apesar de Arya já ter sumido). Um pouco do seu passado é revelado e explicado, mostrando que o Regicida não é tão destituído de honra quanto todos pensam. Na verdade, para mim, Jaime se mostrou um verdadeiro herói, sacrificando sua honra por um motivo maior. Os diálogos entre ele e Brienne são engraçados, mas também tem algumas mensagens: será que sabemos exatamente o que uma pessoa é só pelo o que ela aparenta ser e pelo o que os outros falam?
Arya, Torta Quente e Gendry que também devia ter um Quente no nome fugiram de Harrenhal em busca de Catelyn. Claro, como se trata da Arya, as coisas não saem como o planejado e ela encontra um aliado que ninguém imaginava. Ah! E a loba de Arya ainda está por ai, à espreita... Tenho fortes inclinações para acreditar que as duas se unirão novamente.
Tyrion se recupera da Batalha da Água Negra (levanta a mão quem pirou demais nesta batalha), após sua quase morte por um cavaleiro da Guarda Real, mas recebe outro golpe logo no começo deste livro: Lord Tywin é o novo Mão do Rei e ele, Tyrion, é deixado completamente de lado. Apesar de todos os seus esforços para manter a Fortaleza Vermelha, as coisas em Porto Real estavam péssimas e não melhoram em nada com o domínio de Tywin, apesar de toda a sua inteligência e sagacidade. Mas, claro! Como conhecemos Tyrion muito bem, ele não deixará isto barato e veremos do que ele é capaz ao fim do livro (grande Tyrion... sem trocadilho).
Davos ressurge dos mortos. Na Batalha da Água Negra, todos acreditavam que ele havia morrido, entretanto, neste livro veremos que o pirata sofreu terrores: isolado em uma “ilha” rochosa, longe de tudo e de todos, sem meios de ser salvo pois os navios não se aventuravam por aquelas águas graças aos recifes, comendo o que o mar o mandava, planejando sua morte mas sem coragem de executá-la. Por fim, milagrosamente, ele é resgato e levado ao lugar onde o rei Stannis refugiou-se. Entretanto, Davos tem planos mais urgentes do que ver seu rei: matar a mulher que o levou para a derrota, a sacerdotisa Melisandre.
Sansa já começa seu capítulo mostrando a Sonsa que é: Margaery Tyrell, que a substituiu no posto de futura rainha, a convida para um jantar. Logo no começo, Sansa é manipulada por Margaery e sua avó, a Rainha dos Espinhos, para casar-se com o irmão mais velho de Margaery. Obviamente que isto é um golpe dos Tyrell, pois assim eles teriam poder com os Lannister e com os Starks (já que Sansa seria a próxima na linha de sucessão do trono no Norte). Mas claro que Sansa não pensa nisto, vendo apenas a situação romanticamente. Ela também terá seu aliado para tentar fugir de Porto Real, mas esta parte é sempre exaustiva, pois eles só conversam, ação que é bom nunca aparece.
Já o meio-irmão delicinha de Sansa está passando por uma situação complicada e está com sérios problemas para se resolver com eles. Agora que ele “supostamente” passou para o lado dos selvagens, Jon começa a se perguntar sobre os seus valores e o que ele quer realmente da vida dele. Jon acaba por conhecer Mance, o rei além da Muralha, e vê que ele não é um bárbaro sem princípios. Na verdade, eu gostei muito deste personagem, ele se mostrou alguém sensível, com ideais e valores, até mesmo honrado. Entretanto, ele está do lado “errado”, daria um ótimo aliado, e tem péssimos companheiros. Há também uma personagem que, como vocês devem ter imaginado, ganhará destaque: Ygritte. Pelo amor, acho que todos que leram A Fúria dos Reis devem ter percebido que Jon ganhou uma “namorada”. Bem, na Tormenta, este relacionamento será desenvolvido e só piorará a indecisão de Jon.  
Daenerys, em minha opinião, simplesmente brilhou neste livro. Agora acompanhada do misterioso Barba Branca (atenção nele), Dany e seus lindos dragões partirão para tomar cidades e mostrar o poder de um Targaryen. A nascida da Tormenta mostra que deixou de ser a menina assustada do primeiro livro e agora está pronta para ser uma rainha poderosa, implacável, mas também justa. Sua sagacidade com os Imaculados (sem muitos detalhes) é surpreendente, apesar de eu tê-la achado... Um tanto quanto tosca. Não explicarei muito este ponto para evitar spoiler.
Já Bran, julgado morto, caminha com Hodor, Meera e Jojen atrás do corço de três olhos. São capítulos bem exaustivos, mas também cheio de entrelinhas que você precisa estar esperto para pegar. Bran começará a treinar com Jojen para controlar melhor sua capacidade de trocar de pele com Verão, pois é muito custoso para o garoto deixar sua liberdade de lobo para aprisionar-se no corpo de aleijado. O objetivo é a Muralha e eles contarão no final com um aliado inacreditável.
Catelyn continua a mesma decepção de sempre. O único benefício dos seus capítulos é quando meu lindo e maravilhoso Robb aparece. Vale também lembrar o quanto Robb amadureceu, tornando-se um rei firme, persistente, capaz. Entretanto, assim como seu falecido pai, Robb é honrado e isto poderá ter seu preço (como aconteceu com Ned). Catelyn tem seus longos diálogos com seu irmão Edmure, seu tio Brynden Peixe-Negro e vela pelo seu pai moribundo. Ela também se recrimina por deixar partir Jaime Lannister, pois isto custou a lealdade de alguns vassalos de seu filho.
Este foi o livro mais triste da saga, pois sofri uma grande perda. Relaciono o nome do livro com o número de mortos que tem neste volume. Entretanto, esta obra... Ah, já disse que sou suspeita para elogiar ASOIF, sou uma westerosi (uma Stark). Não tenho nem o que falar de George R.R. Martin, ele é um gênio. Ele é surpreendente, levando o leitor por uma linha – que ele julga saber o final – de repente muda o curso e mostra que estavam todos enganados. Por isso ficou desconfiada de todas as teorias que existem sobre a saga: Martin é cheio de surpresas.  
P.S.: não se deixe assustar pelo tamanho do livro. Sim, ele é um colosso, mas a história vale a pena.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Inverno do Mundo, Ken Follet

Título Original:
Winter of the World
Autor(a):
Ken Follet
Origem:
Inglaterra
Tradução:
Fernanda Abreu
Editora:
Arqueiro
Ano de publicação:
2012


Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia “O Século” e relatará os grandes acontecimentos da Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista das cinco famílias protagonistas do romance anterior. Para quem não lembra muito bem ou não leu “Queda de Gigantes”, um rápido flashback e um “tome vergonha, porque este livro é maravilhoso”.
Billy Williams é um jovem galês de treze anos que começa sua vida de minerador, mas será um grande soldado durante a Grande Guerra. Ele é irmão da linda, inteligente e confiante Ethel, que trabalha na mansão de Ty Gwyn, pertencente ao jovem e conservador conde Fitzherbert. Ambos têm uma paixão avassaladora um pelo outro, porém Fitz é casado e teme perder seu prestígio. Portanto, quando Ethel descobre estar grávida, Fitz a manda embora. Este último é irmão da moderna e vistosa Maud, que é apaixonada pelo amigo alemão de seu irmão, Walter von Ulrich. Obviamente, quando a guerra começar, Fitz e Walter ficarão em frentes opostas. Maud e Walter se casam antes da guerra começar, o que irá enfurecer Fitz quando descobrir e fará os irmãos cortarem relações. Já na distante Rússia, Grigori Peshkov sonha em viajar para os EUA, onde poderá ter uma vida melhor, mas seu irmão Lev, inconsequente e audacioso, precisa fugir da polícia e parte no lugar de Grigori, deixando para trás a mulher que seu irmão ama grávida. Já nos EUA, Lev ficará em Buffalo, onde será choffer de Olga e seu amante. Entretanto, ela estava prometida a Gus Dewar, que apesar da inteligência, dá a entender que é um “banana”. Gus, entretanto, logo esquece Olga e começa uma leve relação com Rosa, uma bela jornalista.
Estas pessoas cruzam na vida umas das outras e estão intrinsecamente ligadas à Grande Guerra. Para quem quer entender o que aconteceu naquele período sem se perder nos detalhes sórdidos e com um bom toque de romance, este é o livro indicado.    
Já Inverno do Mundo continuará com os filhos dos personagens citados acima. Começará com a jovem Carla von Ulrich quando o Terceiro Reich assume a Alemanha. Ela tem uma grande personalidade como a mãe, sonha em ser média e é apaixonada pelo irmão de sua melhor amiga Frieda, Werner. Seu irmão Erik que é um imbecil cego e Maria-vai-com-as-outras está superentusiasmado, pois é aliado do partido nazista. Paradoxalmente, o pai de Carla e Erik é um dos principais membros do partido sócio-democrata (o que dará alguns problemas futuros). Apesar de Erik ser mais velho, ele não é tão maduro quando Carla. A vida de Carla sofrerá grandes reviravoltas e ela precisara ser forte e confiante para sobreviver ao que a Alemanha irá se tornar.
Quando o Terceiro Reich assume, os von Ulrich recebiam a visita de Ethel, velha amiga do casal, e seu lindíssimo, maravilhoso, estupendo e apaixonante filho Lloyd. Este último não sabe que na verdade é filho de um grande conde, o que causaria horror a ele, já que, assim como sua mãe, despreza tudo o que a aristocracia representa. Lloyd desde o começo presenciará o horror do nazismo e da guerra.
Entretanto, apesar de todos os seus ideais e perfeições, ele se apaixonada por um tipinho desprezível: Dayse Peshkov, filha de Lev e Olga. Fútil ao extremo, seu mundo gira ao redor de festas, popularidade, dinheiro e roupas. Seu grande sonho é casar com algum herdeiro de grande fortuna e status, e logo vê sua “vítima” em Boy Fitzherbert, filho do Conde Fitz e meio-irmão de Lloyd. Dayse, entretanto, sofre um pouco com seu pai, já que ele está sempre ausente, mas tem uma grande fama de gangster e não tenta esconder seu fraco por mulheres. Dayse até mesmo conhece um filho bastardo de seu pai, Greg, e chegam até a se dar bem.
Mas se você pensa que vai odiar Dayse do começo ao fim, se engana: a guerra tem o poder de transformar as pessoas... Apesar de outros fatos terem uma influencia bem maior no coração de Dayse, que passará de fútil para determinada e corajosa.
Voltando a Greg, ele tem uma grande admiração e respeito por seu pai. Ambiciona ser tudo o que seu pai representa e está disposto a fazer qualquer coisa para conseguir... Até que ele conhecerá uma linda jovem, Jacky Jakes, que mudará seu modo de encarar o modo de ser do seu pai. Greg mudará de rumo e ficará mais ligado à guerra do que qualquer outro personagem, pois ele estará ligadíssimo às bombas atômicas.
Além de Dayse e Greg, ainda há o terceiro filho de Lev, Volodya, que mora na União Soviética. Ele pensa ser filho de Grigori (sorte dele) e a posição deste último no governo garantirá um futuro brilhante para este que é um dos personagens, em minha opinião, que mais interfira na Guerra. Sua grande habilidade na espionagem será de suma importância para sua nação contra os ataques nazistas (não posso deixar de dizer que as habilidades de Volodya me assustam). Além do que, as grandes vantagens que seu pai dispõe oferecem à Volodya um estudo qualificado na Alemanha, onde ele conhecerá duas personalidades que o ajudarão muito para a espionagem russa. E para terminar, Volodya também terá um amor, Zoya, cientista brilhante que, assim como Greg, se envolverá com as bombas atômicas.
Por fim, vem os queridíssimos americanos, Woody e Chuck Dewar. Woody, assim como os pais, é de grande inteligência e segue a carreira política, apesar de suas grandes paixões serem a fotografia (que realiza com grande destreza) e a admirável Joanne Rouzrokt, três anos mais velha. Já Chuck se alista na Marinha Chuck, seu lindo, te amo do fundo do meu s2, o que espanta toda a sua família. Entretanto, apesar da grande desenvoltura e amabilidade de Chuck, ele guarda um grande segredo que representará grandes perigos para ele no futuro.
Assim como seus pais, cada um destes personagens representará um papel crucial na Segunda Guerra, grande ou pequeno, direta ou indiretamente. Sempre se cruzando, suas vidas estão enlaçadas como fios de uma rede. Uns eu amo, outros eu desprezo e alguns eu não vejo a hora de morrerem. Mas principalmente, a grande maioria me surpreendeu, até mesmo os personagens do livro anterior. Eles encaram a guerra de frente, com uma determinação e coragem que colocaria de joelhos muitos “machos”.
Claro, não posso deixar de falar sobre a parte histórica. Sem sombra de dúvida, em minha e em várias opiniões, a mais assustador foi Pearl Harbor. Narrada com detalhes minuciosos, transmitindo o terror do momento, foi uma das melhores partes do livro e uma das mais tristes. A Guerra civil Espanhola também foi formidável, apesar de ser um pouco mais indireta.
Minha grande decepção foi o ataque a Hiroshima... No máximo, uma página sobre o caso. Pensei que o motivo estava no tamanho do livro, que já estava enorme e não era cabível acrescentar as bombas, ou porque não havia personagens no Japão... Mas minha mente maldosa culpou os sempre enaltecidos EUA. Não há dúvidas que as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram um dos maiores erros da História da Humanidade. Pensei que as bombas não foram bem detalhadas, e Pearl Harbor sim, para manter a imagem dos japoneses de vilões. Não sei se os outros leitores de Inverno do Mundo repararam, mas os japoneses sempre eram cruéis, mas cá entre nós, o Japão é uma grande nação guerreira e honrada. Os ataques em território americano foram durante o conflito e não quando o inimigo estava derrotado, destruído. Acho que muitos não irão concordar comigo, mas quando esta ideia apareceu em minha cabeça, não tinha como tirá-la.
Contudo, isto não muda em nada minha opinião sobre o livro: arrebatador. Um colosso de excelência e bota colosso nisso. Quando terminei o livro, uma melancolia atacou tão forte meu peito que quase chorei. Acrescentei duas paixões para a minha vida: Lloyd e Chuck apesar de que este último... hehe. Com esta fantástica sequência, Ken Follet passou a ser meu novo escritor de cabeceira. Sua maneira delirante de escrever com detalhes e com paixão me encanta e me inspira. O próximo livro, infelizmente, só será lançado em 2014, sobre a Guerra Fria, mas ainda com as mesmas famílias. Ansiosa? Imagina... Esta saga está quase assumindo a poli position dos meus Tops. George R.R. Martin que apresse Os Ventos do Inverno, ou ficará para trás. Bem, este é mais um dos Tops e superrecomendado.
Desejo a todos vocês, meus lindos leitores, um ótimo Natal, um maravilhoso 2013 e muitos livros!
Xerus!   

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Eclipse, de Stephenie Meyer

Título Original:
Eclipse
Autor(a):
Stephenie Meyer
Origem:
EUA
Tradução:
Ryta Vinagre
Editora:
Intrínseca
Ano de publicação:
2007


Com a estreia de Amanhecer parte 2 nos cinemas, decidi falar hoje sobre Eclipse, o terceiro volume da saga que, em minha opinião, foi o mais... “Chatinho” dos quatro. Ele é o rocambole (enrola, enrola, enrola, e vai parar no mesmo lugar) e poderia muito bem ter sido descartado. A história é basicamente a indecisão de Bella entre Edward e Jacob. Mas acho que ofendo gravemente as fãs da saga ao dizer isso... Por isso, vamos ao livro.
Relembrando os últimos acontecimentos, em Lua Nova, depois de um aniversário desastroso na casa dos Cullen, Bella é abandonada por Edward, o que cria um “buraco” profundo e aparentemente irreparável em seu coração. Porém, ela descobre que em momentos de forte adrenalina, a voz do vampiro soa nitidamente em sua cabeça. Ávida por sentir este pedaço de seu amor, Bella tenta conseguir novos momentos perigosos e acaba se aproximando de seu amigo de infância Jacob. Porém até mesmo ele acaba por se afastar e Bella descobre que ele é, na verdade, um lobisomem – eternos inimigos dos vampiros. Um “clima” rola entre os dois, mas alguns contratempos fazem Bella e Edward se reencontrarem e voltarem a ficar juntos.
Jacob fica arrasado e afastasse de Bella. Ao mesmo tempo, uma onda de assassinatos provoca pânico em uma cidade vizinha. O que Bella e Edward não desconfiam é que estes assassinatos são obra de uma antiga inimiga procurando vingança. Uma guerra começa a se formar no horizonte e algumas barreiras precisam ser ultrapassadas.
Quem se destaca muito neste livro são Jasper e Rosalie. Ambos terão suas vidas mortais reveladas, as histórias antes de se tornarem vampiros. E, convenhamos, são os dois passados mais interessantes de toda a família Cullen. Em especial Jasper que, com sua “experiência”, será crucial contra o perigo iminente. E o passado de Rosalie aproximará a fria vampira de Bella (e também será importante no livro seguinte).
Comentando rapidamente sobre o filme e usando as palavras de um crítico, “o filme começa na campina e termina na campina, ou seja, é uma tremenda de uma enrolação” (não faço a menor ideia de quem seja, porque o vi em uma reportagem na TV Cultura, mas foi uma observação genial). Em comparação ao livro, deu uma enriquecida na história, colocando mais cenas de ação, sobre o núcleo do inimigo e ficou bem menos no “água-com-açúcar” do triângulo amoroso. Entretanto, a inexpressividade de Kristen Stewart e a falta de naturalidade de Taylor Lautner me assustam. Não vou criticar Robert Pattinson, porque, além de eu ter um “fraco” desde Cedrico em Harry Potter e o Cálice de Fogo, ele é o menos cruel dos três (tem uma expressividade e um jeito torto de atuar que chega a ser charmoso, mas sou suspeita para elogiá-lo). Claro que ele não está em um nível de dizer que é um ótimo ator, mas sua atuação pode ser considerada agradável. Os efeitos especiais deixaram a desejar e não simpatizei com a trilha sonora.
Entretanto, não sei explicar direito o porquê, mas a Saga Crepúsculo tem algo que atrai a pessoa de uma maneira que chega a viciar. Agora que eu já passei da minha fase de fã, acho uma história fraca... Mas ainda assim, olho no calendário para encontrar um dia vago para ir ao cinema assistir ao desfecho. São livros rápidos, que prendem e (admito) são gostosos de ler. Talvez a resposta esteja na forma rápida e simples de Stephenie Meyer escrever, ou na história de amor, ou no absurdo de uma menina se apaixonar por um vampiro brilhante e por um lobo sem pelos!  O fato é que, apesar de não estar entre os Tops, recomendo este livro para quem quiser um livro quando não tem mais nenhum, mas ainda assim quer uma história diferenciada e que não seja cansativa.
P.S.: falando rapidamente sobre a última nova moda nas livrarias, Cinquenta Tons de Cinza. A autora diz ser fã da Saga Crepúsculo e que se inspirou nela para escrever esta trilogia. Como todos já devem saber, são livros polêmicos pelo seu erotismo. Então, eu me pergunto: onde a Saga Crepúsculo é erótica? 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson


Título Original:
Flickan som lekte med elden
Autor(a):
Stieg Larsson
Origem:
Suécia
Tradução:
Dorothée de Bruchard
Editora:
Companhia das Letras
Ano:
2006

Lisbeth Salander é acusada de triplo assassinato, e a polícia está em seu encalço. A jovem hacker é esquiva, egoísta e pode ser muito violenta quando provocada. Mikael Blomkvist, editor-chefe da revista Millennium, sabe muito bem disso. Mas, ao contrário do restante da imprensa, que não se acanha em crucificá-la, ele acredita na inicência da moça.
Para ele, os homicídios relacionam-se a uma série de reportagens que a Millennium pretendia publicar sobre o tráfico de mulheres provenientes do leste Europeu. Um esquema de corrupção cujos tentáculos alcançam promotores, juízes, policiais e jornalistas. Lisbeth livrou Mikael da morte dois anos antes. Agora ele tem como retribuir.

Estava comentando outro dia com uma amiga sobre a saga Millenium quando decidi fazer uma postagem sobre o segundo volume. Na minha mais sincera opinião, é o melhor dos três, já que abre a misteriosa e fechada Lisbeth Salander e sua história. 
Um rápido flashback sobre o livro anterior: Mikael Blomkvist foi acusado de difamar um homem poderoso, Wennerström, mas um antigo empresário Henrik Vanger faz um acordo com ele: Mikael escrevia a biografia da família Henrik Vanger e descobriria que fim levou a sombrinha de Henrik, Harriet, e em troca receberia informações sobre Wennerström. Henrik chega a Mikael através de Lisbeth Salander, que trabalhava em uma agência de seguros, uma hacker inteligentíssima e antissocial. Com alguns contratempos, os dois acabam trabalhando juntos para chegar ao final do mistério, com assassinos, dinheiro e vários outros obstáculos absurdos pelo caminho. É neste meio tempo que Lisbeth, tão desprovida de sentimentos, acaba se apaixonando por Mikael, mas vê-se desiludida ao deparar-se com ele e sua colega-amante, Érica. Ao fim, Harriet não estava morta, na verdade, estava escondida em uma fazenda na Austrália com o pseudônimo de Anita, e Lisbeth consegue desviar milhões de Wennerström enquanto este é desmascarado por Mikael. 
Porém, novamente o destino colocou Lisbeth e Mikael na mesma encruzilhada. Blomkvist estava prestes a publicar em sua revista informações horrendas de tráfico de mulheres quando seus dois informantes são encontrados mortos. Mas o que realmente foi espantoso é o tutor de Lisbeth também aparecer assassinado com a mesma arma que trazia as digitais da nossa protagonista. Não só isto a coloca como a suspeita n° 1, mas ela tinha ótimos motivos para querer o tutor morto. 
Quem na verdade está por trás destes crimes é um velho conhecido de Lisbeth, que reapareceu para trazer os fantasmas de sua adolescência de volta. Não é à toa que Lisbeth é uma pessoa tão fechada, retraída e desconfiada: esta velha “alma penada” transformou Salander no que ela é hoje e fez de sua vida um inferno. Para livrar-se destas acusações e prender o verdadeiro vilão, Lisbeth terá que lidar bem mais do que a impressa que a crucifica como uma lésbica psicopata satânica: terá que lidar com segredos de Estado. 
E, apesar de ser independente, inteligente, persistente e vários outros “entes”, Lisbeth poderá contar com seu amigo Blomkvist, que realizará uma investigação própria, longe da polícia e da imprensa, apenas para ajudar quem um dia salvou sua vida. 
O mais interessante deste livro é como o autor, Stieg Larsson, consegue colocar tantas informações nas entrelinhas: o tráfico de mulheres, a corrupção, o abuso de autoridade e a manipulação de opiniões pela imprensa são apenas alguns dos temas que ele coloca em suas páginas. Poderíamos ficar por resenhas e mais resenhas comentando o que o autor traz, mas o principal é falar sobre como os dois protagonistas brilham neste novo volume da saga. Lisbeth, como sempre, uma heroína fora dos padrões (o que a torna uma das melhores personagens que passaram por mim) e Mikael, com sua astúcia e criatividade, “irá salvar o dia”. Novos personagens aparecerem, alguns bons, outros são verdadeiros monstros. 
Um livro magnífico e inspirador. Espero que todos aproveitem!

sábado, 8 de setembro de 2012

O Último Reino, de Bernard Cornweel

ok... esta foto ficou horrível, mas as outras estavam piores '-'

Título Original:
The Last Kingdom
Autor(a):
Bernard Cornwell
Origem:
Inglaterra
Tradução:
Alves Calado
Editora:
Record
Ano:
2005

Vou me lembrar deste livro em um avião... O que faz com que ele cai no meu conceito, porque, apesar de não admitir, eu tenho medo de avião. Ganhei este livro de minha mãe como presente de final de ano, um pouco antes de viajarmos para Fortaleza (uma viagem que foi inesquecível, diga-se de passagem). Li boa parte do livro durante o voo e, a cada “sacudidela” do avião, meu sangue gelava e eu descontava meu nervosismo no coitado. Devo ter perdido boa parte da essência do livro, de tanta ansiedade... Mas isto não vem ao caso, portanto falemos do livro.
Uhtred, filho de Uhtred, inicialmente denominado Osbert, até seu irmão mais velho ser decapitado pelos dinamarqueses e nosso protagonista receber o nome herdado por gerações de sua família, nasceu no reino da Nortúmbria, em Bebbaburg, que herdaria depois que seu pai morresse. Porém, em uma luta perdida contra os dinamarqueses, Uhtred ficou órfão e foi capturado pelos inimigos, mais precisamente por Ragnar, um temido e respeitado jarl (chefe viking). Ragnar acaba por “adotar” Uhtred e ensinar-lhe o modo de vida dos dinamarqueses. Porém, apesar de Uhtred abraçar a nova vida e dar-se melhor com dinamarqueses do que com seu próprio povo inglês, nunca esqueceu a terra que foi tomada dele pelo próprio tio – que o “julgou” morto depois da luta e assumiu Bebbanburg, reino de Uhtred – e jura que um dia tomará o que é seu por direito (a mesma história de sempre).
A história segue com a boa e velha chatice da aprendizagem do protagonista. Uhtred irá crescer como viking, lutará como viking e viverá como viking até enfim ser “resgatado” por Alfredo, o novo rei de Wessex. Este trecho da história envolveria muitos outros, mas não pretendo fazer deste texto opinativo um resumo, portanto me restrinjo a dizer que Uhtred passará para o outro lado, sendo leal a Alfredo. Ele não traiu os dinamarqueses e Ragnar propriamente dito, mas passou para o outro lado. Para entender melhor esta colocação, claro, é preciso ler o livro.
Porém, este livro não entra na minha lista de “Livros indicados”. A repetição de informação (como o nome de Bebbaburg que eu decorei) e a falta de sentimentalismo para descrever sentimentos me desagradou. Esta ultima parte pode parecer estranha, mas (não sei se foi somente comigo),quando o autor contava o que se passava com Uhtred, a descrição foi de uma superficialidade que era como se ele estivesse descrevendo um cômodo vazio. Ainda mais sendo uma história em primeira pessoa, a paixão com que os sentimentos devem ser escritos tem que ser muito forte, mas no livro eu senti muito a falta disso: a paixão e a intensidade. Sem contar que a história corre com grande velocidade, portanto, se você se distrair, perde muitos acontecimentos.
Bem, eu ouvi dizer que a continuação deste livro melhora e muito. Espero que sim, porque, apesar de não ter gosta deste volume, pretendo terminar a saga por questões de princípios (como eu já disse). Antes que eu me esqueça, o autor, Bernad Cornwell, poderia ter me explorado mais esta história com um tema tão diferente. Já ouvi falarem muito bem de outra saga dele, chama As Crônicas de Artur. Alguém confirma?    

sábado, 4 de agosto de 2012

Lua Nova, de Stephenie Meyer


Título Original:
New Moon
Autor(a):
Stephenie Meyer
Origem:
EUA
Tradução:
Ryta Vinagre
Editora:
Intrínseca
Ano:
2006



Aproveitando o último “barraco” envolvendo os protagonistas da saga Crepúsculo e que a conclusão da saga estreará em breve nos cinemas, por que não falar de algum livro? Mesmo que todos já estejam carecas de saber sobre o que a história conta, acho que é minha obrigação comentar sobre o livro que marca meu tempo recorde de leitura (exatas 24 horas). Quero então pedir desculpa aos meus professores, que estavam desesperados por colocar algo na cabeça de todo mundo às vésperas das provas trimestrais enquanto eu lia Lua Nova como se nada mais existisse no mundo (porém existe gente pior, que faz a mesma coisa todo dia, porém, ao invés de um livro, é o Twitter, SMS ou Facebook no celular). Uma tremenda falta de respeito, admito, mas era a minha fase “família-crepúsculo”. Não havia como evitar (u.u).
Bella Swan mora agora com seu pai, Charles, na minúscula cidade de Forks para ficar perto de seu amor, Edward Cullen, um vampiro lindo, rico, romântico e magnífico que brilha ao sol. Bella esta obcecada por se tornar uma vampira, porém Edward recusa-se a transformá-la, avisando-a sobre o monstro que ela pode se tornar. E, como visto no livro anterior, até mesmo a proximidade dos dois é perigosa...
Isto fica mais visível no aniversário de Bella, comemorado na casa dos Cullen. Quando abria um pacote, Bella se corta com uma fita e uma única gota de sangue aparece, o suficiente para despertar o vampiro maligno que existe em Jasper, o mais incontrolável dos filhos adotivos do Sr. E da Sra. Cullen. Para protegê-la, Edward mongo a arremessa metros longe, o que a faz se chocar contra uma mesa de vidro e se cortar ainda mais. Todo aquele sangue estimulará a sede dos vampiros e quase há um ataque. Graças ao Sr. Cullen, o perfeito médico controlado, todos se acalmam, porém predomina o clima chato sobre eles. Eis que Edward toma sua decisão crucial.
Decidido a proteger o amor de sua vida, Edward abandona Bella, assim como todos os outros Cullen, jogando-a na amargura e solidão. Com seu coração partido, Bella vira um “zumbi” que não vê o tempo passar, tem pesadelos sobre seu abandono todas as noites e não vê mais nenhuma razão para sua existência...
... Até que surge Jacob, seu sarado melhor amigo. Com ele, Bella sente que o buraco em seu peito incomoda menos e ela consegue ficar feliz pelo menos por algum tempo...
...Porém, Jacob também se afasta repentinamente. Isto aumentará ainda mais sua mágoa, porém Bella não desiste dele e vai investigar esta história. Ela descobrirá então, através de uma velha lenda sobre a rivalidade entre os Cullen e os quileutes, que Jacob é um lobisomem que se depila. Mesmo com esta esquisitice toda, Bella não foge de Jacob, apenas se aproxima ainda mais, o que alimenta a paixão secreta que o lobisomem sente.
Mas o que ela sente por Edward ainda está lá, o que cria uma barreira para Jacob. Claro que Jacob não desiste, o que criará um triângulo amoroso. Bella precisa escolher o amor que a abandonou e o melhor amigo.
Bem... Vendo agora, a história não é lá grande coisa. Não sei por que fiquei tão paranoica quando ganhei estes livros. Crepúsculo nada mais é do que um livro para ser vendido. Por ser uma história tão atraente para adolescente, era óbvio que venderia como água no deserto. Se Stephenie Meyer tivesse um pouco da ousadia de J.K. Rowling ou, exagerando muito, de Jane Austen, a história seria melhor. Sei que muitas(os) ficarão revoltadíssimos com esta crítica, porém sejamos francos: a história é bem fraquinha... o que não me impediu de ler em único dia hehe 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K.Rowling

Capa "Harry Potter e a Pedra Filosofal"

Título Original:
Harry Potter and the Philosopher's Stone
Autor(a):
J.R. Rowling
Origem:
Grã-Bretanha
Tradução:
Lia Wyler
Editora:
Rocco
Ano:
1997


Harry Potter é um garoto comum que vive num armário debaixo da escada da casa de seus tios. Sua vida muda quando ele é resgatado por uma coruja e levado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Lá ele descobre tudo sobre a misteriosa morte de seus pais, aprende a jogar quadribol e enfrenta, num duelo, o cruel Lord Voldemort.
Com inteligência e criatividade, J. K. Rowling criou um clássico de nossos tempos. Uma obra que reúne fantasia e suspense num universo original atraente para crianças, adolescentes e adultos.

Enfim, férias! Depois de um longo e rigoroso semestre, afinal chegou o meu merecido descanso. E convenhamos: parecia que nunca mais acabariam as aulas... Principalmente depois do fiasco que foi a semana cultural da minha sala (semana cultural é a razão da existência das salas do ensino médio da minha escola: são uma série de atividades teatrais e apresentações que as classes devem preparar para mostrar aos professores que darão notas e a classe vencedora ganha... Bem, não ganha um prêmio, mas a graça está em avacalhar com os perdedores. Infelizmente, minha classe perdeu... Mesmo eu não ficando muito surpresa, diga-se de passagem, mas fiquei chateada. Agora é aguentar a classe vencedora tirando uma da nossa cara). Foi um período realmente estressante, tanto que eu nem consegui publicar no blog... Mas agora prometo voltar com força (kkkkk).
E falando em escola, que tal comentarmos hoje sobre a escola mais famosa e especial que existe na literatura fantástica? Sim, meus caros, Hogwarts, a escola de magia e bruxaria. E assumam: todos sonham com o dia em que uma coruja pouse em sua janela trazendo a carta de convocação (rsss). Se eu entrasse nesta escola, me recusaria a sair de férias.
Hogwarts será o verdadeiro lar de Harry Potter, um menino magrelo de óculos aparentemente comum e sem graça que na verdade é a esperança de todo mundo bruxo para livrar-se de um grande vilão, Lord Voldemort. Este último matou os pais de Harry graças a uma profecia - que somente será esclarecida nos próximos livros – e o menino passa a morar com seus irritantes tios sem saber que na verdade é um bruxo...
... até que, com 11 anos de idade, coisas estranhas começam a acontecer com Harry. Mas o que realmente vai virar sua vida de cabeça para baixo são corujas que carregam cartas. Sim! “Corujas-carteiras”! As aves tentam por sucessivas e fracassadas vezes entrega cartas ao Harry, mas seu tio impede que isto aconteça, mudando a família para um local bem afastado do resto da civilização. O que eles não esperavam, entretanto, seria o aparecimento de uma adorável criatura, Hagrid, um homem tão grande quanto sua bondade (apesar de colocar um rabo de porco no primo de Harry, muito merecidamente). Hagrid explica a Harry que o menino é um famoso bruxo que é convocado a entrar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
No caminho para se preparar para seu ingresso na escola, Hagrid explicará muitas coisas para Harry, entre elas sobre seus pais e sobre o mundo bruxo, e como presente de aniversário, Hagrid lhe dá uma coruja que se tornará sua companheira pelos anos que se seguirão, Edwiges.
Mas muitas coisas são misteriosas ainda para Harry, como o misterioso objeto que Hagrid pega em um vazio cofre do banco... O que Harry não sabe é que este objeto tornará seu primeiro ano na escola muito turbulento e anormal... Como se uma escola de bruxos já não fosse o suficiente. Neste ano, Harry conhecerá seus melhores amigos que o acompanharão por toda a sua vida: Ronald Weasley, ou somente Rony, seu amigo fiel e companheiro para todas as horas – menos quando aparecem aranhas, que são seu pesadelo – e Hermione Granger, inteligente sem igual, mas muito prepotente. Juntos, os três prometem mudar Hogwarts e todos que vivem nela... E a vida de seus leitores... 
Para qualquer um que leu Harry Potter e a pedra filosofal, primeiro volume da saga, mesmo que não tenha gostado (o que eu acho um pouco difícil), sua vida sofreu uma drástica mudança. Desconfio que muita gente já pegou algum graveto escondida da sociedade e disseram algum feitiço (eu pessoalmente adoro lançar um Avada Kedavra de vez em quando). A verdade é que J.K. Rowling foi brilhante em sua criação! Apesar do livro não entrar para os meus tops (porque faltou algo na história para me envolver totalmente), os livros são admiráveis. Já ouvi muitas criticas negativas por ai a respeito da história, mas todos devem concordar que a escritora merece um pouco de respeito pela sua criatividade e por sua obra ter atingido tantos pessoas pelo mundo inteiro com esta magnitude. Aplausos para J.K. Rowling!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Eldest, Christopher Paolini


Capa "Eldest"
Título Original:
Eldest
Autor(a):
Christopher Paolini
Origem:
EUA
Tradução:
Heitor Pitombo
Editora:
Rocco
Ano:
2004



Ah... Dragões! Se tem algo que eu amo de paixão são estas criaturas místicas e poderosas... Portanto, nem preciso dizer que eu piro nestes livros não é? Entretanto, esta saga não entra em meus tops porque acho que o autor não estava “maduro” o suficiente para escrever um Best-seller magnânimo e digno de dizer que ele está entre os melhores livros que eu já li. Apesar de seu claro amadurecimento desde Eragon, Christopher Paolini ainda precisa evoluir muito para entrar no meu rank (desculpem os fãs assíduos do autor, mas eu sou bem exigente). Mas eu não quero dizer que odiei a história. Muito pelo contrário: amei! Estou ansiosa pelo último livro, que está previsto para o segundo semestre deste ano (aguenta coração!). Apesar de ter ouvidos alguns rumores que o final deixou a desejar, tenho que lê-lo para ter minha opinião...
Eragon acaba de sair de uma guerra infernal onde foi ferido gravemente... Mas com uma vitória espetacular: após matar o espectro Durza (medo dele), nosso herói-juvenil recebe o carinhoso apelido de Eragon Matador de Espectros. Apesar de ter recebido uma pequena ajuda das nojentinhas Saphira (seu dragão) e Arya (seu amor secreto não tão secreto assim), digamos que o mérito ficou apenas com o Cavaleiro. Ele agora partirá junto com as duas e seu amigo anão Orik para Ellesmerá, a capital dos elfos, para continuar seu treinamento como cavaleiro. Em sua nova parada, Eragon descobrirá algo inesperado: ainda há um dragão e seu cavaleiro vivos.
Uma pausa rápida: lembro nitidamente que eu estava tomando leite com groselha nesta parte do livro... E lembro nitidamente que eu cuspi tudo quando li “e apareceu um dragão dourado com seu cavaleiro” (ou algo do tipo). Meu choque foi tanto que precisei reler o capítulo para ter certeza que não estava ficando louca. E para minha curiosidade dolorosa ficar completa, o capítulo seguinte parte para outro lugar.
Entretanto, minha dor foi apaziguada ao ler sobre Roran, o primo gatinho de Eragon. Se você, que leu Eragon, não faz a menor ideia de quem era ele, um rápido Flashback: Roran era quase um irmão para Eragon, porém resolveu partir da fazenda para tentar uma vida melhor, já que queria se casar com a bela Katrina. Agora, Roran volta para Carvahall e descobre que seu pai foi morto e seu primo fugiu. É possível notar um grande ressentimento da parte de Roran para com Eragon, mas o rapaz tem bom coração, por isso não se deixa entregar ao ódio. Além do que, Roran tem outras preocupações: os Za’Rac, uns monstros canibais bem assustadores, descobrem sua ligação com Eragon e pretendem raptá-lo. Ele até tenta se esconder, mas o pai de Katrina, que o odeia, acaba entregando-o. Mas não se desespere: ele não foi sequestrado. Em seu lugar, foi levada Katrina (ok, agora pode se desesperar).  Roran decide então partir de Carvahall junto com todos os moradores para procurar pelos Varden... E mostra que nasceu para liderar.
Tenho que admitir que fiquei surpresa com Roran, acho que ele representa o verdadeiro amadurecimento do autor. O modo como leva a todos até os Varden mostra que ele é digno de ser um Cavaleiro de Dragão. Merecia um ovo!
Mas voltamos agora para Eragon e seu novo professor, Oromis. Ele é um velhinho muito simpático, diga-se de passagem, e um verdadeiro guerreiro. Apesar de sua enfermidade, ele mostra ser um excepcional cavaleiro. Oromis torna-se o mestre de Eragon e o ensinará a controlar melhor seus poderes de Cavaleiro.
Já o dragão Glaedr, eu não simpatizei muito com ele... Um pouco arrogante, talvez pela convivência com os elfos. Apesar dele não parecer muito, já que a maior parte do tempo em que Eragon treinava, ele e Saphira saiam voando por ai, nos momentos em que ele surgia, mostrava ter um focinho muito empinado...
E houve um momento que eu não entendi muito bem: rolou um clima entre ele e Saphira? Apesar de, no livro, ela dizer que eles eram os últimos dragões e precisavam salvar a espécie (momento tensão), o que queria dizer que ela não sentia nada muito profundo por ele, somente o sentimento de obrigação, ainda assim não conseguia deixar de imaginar os dois como um casalzinho feliz... Acho que foi só impressão...  E, bem, como eu não sou fã da Saphira, não posso deixar de comentar o quanto eu ri quando li sobre o fora que Glaedr deu nela... Aquelas patadas (literalmente) foram boas para ela, assim ela aprende que não é a melhor coisa que já aconteceu em Alagaësia.  
Falando em lado emocional, vejamos a relação entre Eragon e Arya, sendo que esta última é de uma indecisão irritante. Até agora eu não entendo se ela quer ou não ficar com Eragon. Preciso que ela se decida logo, pois esta do “vou não vou” está me irritando profundamente.
Chegamos à conclusão: alguns outros personagens aparecem na trama e ganham seu destaque como Nasuada, a nova líder dos Varden. Mulher decidida, forte, batalhadora, que mostra que chegou para ficar. Ela é uma das minhas personagens favoritas. E apesar de toda a sua obrigação para com o seu grupo, ela não deixa de expressar seus sentimentos... E é claro que eu estou me referindo ao Murtagh (lindo maravilhoso!). É bem óbvio que ela está apaixonada por ele... E mais óbvio ainda que ele a corresponde (só o clima que rolou no livro, já dá para saber).
E não se preocupem, público feminino, não me esqueci de falar sobre Murtagh. Na verdade, algo terrível acontece com ele logo no ínicio do livro: ele é sequestrado pelos Urgals logo após o assassinato de Ajihad e... Não vou contar o que acontece com ele depois (hehehehe). Apenas que Murtagh mostra o quanto seu espírito é forte e resistente: as desgraças que acontecem com ele parecem nunca ter fim!
Outra personagem que ganha espaço é Erva, o bebe abençoado por Eragon e Saphira. Na verdade, Erva foi amaldiçoada pelos dois por um erro na linguagem e agora ela se tornou um escudo contra os sofrimentos das pessoas. Para sua sorte, Erva é acolhida por Nasuada e por Angela, a feiticeira. Erava é uma criança de quatro anos, porém com a mentalidade de uma adulta. Ela me assusta às vezes com sua inteligência e eu a admiro por não ficar bajulando Eragon como todos os outros.
O final do livro é surpreendente! Pensando um pouco agora, era um pouco óbvio, mas foi bem elaborado. Como já disse, Christopher Paolini cresceu muito desde Eragon e continuou em Brisingr, terceiro livro da série. Espero que ele continue assim até Inheritance, a conclusão desta saga.

domingo, 20 de maio de 2012

A Fúria dos Reis, de George R.R. Martin


Capa "A Fúria dos Reis"
Título Original:
A clash of kings
Autor(a):
George R.R. Martin
Origem:
EUA
Tradução:
Jorge Candeias
Editora:
Leya
Ano:
2011



Um cometa da cor do sangue e fogo atravessa o céu. E a partir da cidade antiga de Dragonstone às margens proibidas de Winterfell, reina o caos. Seis nações lutam pelo controle de uma terra dividida e pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos, preparando-se para o embate através de tumulto, confusão e guerra. É um conto em que irmãos conspiram contra irmão e os mortos se levantam no meio da noite. Neste lugar uma princesa se disfarça como um garoto órfão, um cavaleiro espiritual prepara um veneno para uma feiticeira traidora, e homens selvagens descem das Montanhas da Lua para devastar o campo de batalha. Com um pano de fundo de incesto, alquimia e assassinato, a vitória pode chegar aos homens e mulheres possuidores do aço mais frio … e corações mais gelados. Quando há um confronto entre reis, toda a terra treme.

Assustadoramente, este segundo volume foi melhor que o primeiro (em minha opinião, claro), o que eu julgava impossível. Novos personagens ganharão voz e os que já eram P.O.V. vão estar ainda mais “irresistíveis” e surpreendes (ai Jon... *-*).
O primeiro e novo personagem a ganhar voz é Davos Seaworth, um ex-pirata aliado a Stannis Baratheon, irmão mais velho de Robert Baratheon – antigo rei de Westeros. Quando Robert lutava contra Aerys, o Rei Louco, Stannis foi sitiado em Pedra do Dragão. Porém, eis que aparece Davos, carregado de cebolas, que abastece a ilha e impede que Stannis morra de fome. Este episódio rende à Davos o apelido de Cavaleiro das Cebolas. Depois que Stannis vence a sua guerra, ele acolhe Davos, porém corta-lhe os dedos como punição pelos seus crimes de pirataria. Inacreditavelmente, isto só faz com que Davos fique ainda mais leal à Stannis. Agora, Davos é o principal conselheiro de Stannis nesta guerra que assola Westeros. Por ser o irmão mais velho de Robert, Stannis reclama o Trono de Ferro para si mesmo, assim como seu irmão mais novo Renly.
Stannis também contará em seu “conselho” com a mulher vermelha, Melisandre. Seguidora da nova religião do Deus Vermlho, R’hollor, Melisandre lembrou-me muito os inquisidores da Idade Média com sua intolerância às outras religiões e seu jeito macabro e misterioso de ser. Logo no prefácio, Melisandre mostra que chegou para aterrorizar que se coloca em seu caminho (pobre Meistre...). Ela guiará Stannis nesta batalha, dizendo que ele foi o cavaleiro escolhido por R’hollor para representá-Lo em Westeros. Não preciso dizer que eu não gosto dela não é? Aquela mulher é uma bruxa assustadora e ignorante (o que me irrita profundamente...). Ela não é P.O.V., mas é importante...
Além de Davos, quem também ganha voz é Theon Greyjoy. Em vários comentários sobre o livro que eu leio por ai (e eu leio muito sobre os livros d’As Crônicas), eu vi que Theon caiu no gosto popular... Eu não sei o que veem nele, porque eu, pessoalmente, odeio Theon com todas as minhas forças! Para mim, ele é um serzinho fútil e pervertido que não sabe o que quer da vida e que só faz cagada! Somente em uma parte eu fiquei solidarizada com ele: quando Theon finalmente volta para as Ilhas de Ferro com uma proposta do Rei do Norte Robb, ele tem uma grande decepção com seu pai que parece culpá-lo pela sua ausência. Além do seu pai, Theon também sofrerá nas mãos de Asha, sua irmã pretensiosa. Apesar de eu admirar muito a força e coragem de Asha, ela me irrita mais do que Theon com suas esnobações para cima do coitado... Se formos ver, os Greyjoy são uma família de problemáticos irritantes. Não gosto deles... Mas, tirando a minha opinião, os Greyjoy ganharão mais destaque neste livro.
Falando no Robb, vejamos como está Catelyn: na mesma. Continua sofrendo pela morte do marido, pela perda das filhas, pelo destino do seu filho mais velho, pela saudade dos mais novos... Porém, desta vez, Catelyn finalmente parece que vai se mexer para alguma coisa: como já sabemos, Renly Baratheon também está reivindicando o Trono de Ferro. Como o interesse de Robb Stark não é Westeros completo, mas só o Norte, ele irá propor através de sua mãe uma aliança. Catelyn então viajará até o acampamento de Renly, onde verá que ele fez um pacto com os Tyrell cansando-se com Margarye Tyrell, irmã do Sor Loras (o Cavaleiro das Flores). Neste volume, Margarye não será muito relevante, mas nos próximos... Bem, deixemos isso para outra postagem.
Nesta viagem, Catelyn conhecerá Brienne de Tarth, a Beleza. Ela é caracterizada como uma mulher feia e estranha, mas uma ótima cavaleira e espadachim. Quando Catelyn chega, uma luta entre ela e Sor Loras acaba de ser concluída, com Brienne saindo vencedora e pedindo como recompensa um lugar na guarda real de Renly. Não será exatamente neste momento, mas um laço de amizade e lealdade se formará entre Catelyn e Brienne, que será de grande importância para o resto da historia... Por isso, atenção nas duas.
E aproveitando que estamos falando dos Starks, vejamos como estão os pequenos lobos. Arya conseguiu fugir de Porto Real passando-se por um menino órfão com os novos recrutas da Guarda da Noite. O plano original seria que Arya ficasse em Winterfell no meio do caminho, porém alguns contratempos fizeram com que Arya tornasse prisioneira em Harrenhal. Mas Arya é esperta e tem amigos, como Gendry e o misterioso Jaqen H’ghar (fala sério: a Arya tem uma sorte do caramba! Dois bonitões numa tacada só!), que a ajudarão a voltar para casa... Ou naão.
Sansa continua na corte do Joffrey. Apesar de ela ser uma songa-monga, ela sofrerá horrores nas mãos daquele monstro loiro e sádico. Ela está levemente (bem levemente) mais esperta, mas ainda crê em histórias românticas e que seu príncipe encantado irá salvá-la... Será que esta tonta não enxerga que ela precisa se mover para sair de lá?
Bran, agora regente de Winterfell, se mostra mais esperto que sua irmã mais velha, porém ainda está com grandes problemas com sua nova condição paralítica e com seus sonhos. Entretanto, Bran não ficará mais sozinho: chegam ao castelo os irmãos Reed, Meera e Jojen, ainda mais misteriosos e suspeitos que Jaqen H’ghar. Eu sei que eles escondem alguma coisa de Bran, alguma história que renderá um ótimo capítulo... Mas deixando as suposições de lado, vamos falar sobre o que nos foi mostrado até agora: Jojen tem um poder muito estranho, que ele denomina sonhos verdes. É como se ele pudesse prever o futuro através de sonhos confusos. Jojen então ajudará Bran a entender quem é este corvo de três olhos que aparece nos sonhos do menino e os sonhos em que Bran se vê na forma de lobo... Aparentemente, estes sonhos são normais, mas segundo Bran, eles são nítidos demais para simples sonhos.
Não podemos esquecer também o meio Stark, Jon Snow. Ele agora está além da Muralha, atrás dos selvagens que estão se organizando “sob os estandartes” de Mance Rider, que se denomina o Rei-para-além-Muralha. Entretanto será nesta fase que Jon começará a se perguntar se fez a coisa certa ao entrar para a Patrulha... Ele também começará a sentir uma falta imensa de Winterfell e de sua família, principalmente de seu pai. Mas algumas coisas boas acontecerão com Jon... Ele finalmente conhecerá alguém que fará seu coração bater mais forte (não é o Sam).
 Mas vamos descer agora para um lugar mais quente: a corte de Joffrey. O moleque está pirando no Trono de Ferro: como se já não bastasse ele ser mimado e sádico, agora o poder subiu à sua cabeça e ele está fora de controle, até mesmo de sua mãe e de seu tio. Bem, nem preciso dizer que Tyrion está cadê vez melhor. Ele é disparado o melhor e mais inteligente personagem dos livros. Agora Mão do Rei, Tyrion usará toda a sua sagacidade para manter Joffrey no trono, apesar de não esconder a repulsa que sente do sobrinho. Ele está imperdível neste volume, mostrando que chegou para “botar ordem na casa” (apesar de isso ser impossível até mesmo para ele, já que todos, até mesmo a Rainha Regente Cersei, estão contra ele). Falando na Cersei, só um comentário: está mais bruxa que antes.
E por fim, a Mãe dos Dragões: Daenerys Targaryen, Primeira de Seu Nome, Nascida da Tormenta e blábláblá. Depois da morte do Drogo e de todas as traições, Dany seguirá com seu pequeno (e bota pequeno nisso) khalasar em busca de apoio para se reestruturar e de um exército para tomar o Trono de Ferro que é seu por direito. Após quase morrer ao atravessar um deserto, Dany encontra a grande e rica cidade de Qarth, onde conhecerá Xaro Xhoan Daxos, um comerciante rico que quer se casar com Dany só pelos dragões. Dany sabe que agora que a noticia do surgimento de dragões atrairá interesseiros e golpistas como abutres sobre carniça, por isso ela precisará usar toda a maturidade que ganhou para se livrar deles. Mas claro, ninguém consegue viver sozinho: Dany pode contar com Sor Jorah, que neste volume, começa a mostrar que esconde alguma coisa obscura... Eu sei o que é, mas nem pretendo contar. Rs
Perfeito? Não... Este volume foi quase perfeito. A única coisa que o impediu foi Robb não ter se tornado um P.O.V. Meu Deus! Ele é o rei do Norte! Ele merecia um pouco mais de destaque... Mas tirando este pequeno detalhe, A Fúria dos Reis é imperdível! Ele me surpreendeu, assustou, intrigou, emocionou, irritou, confundiu e “impacientou”. Quando o livro terminou, a primeira coisa que eu disse foi: “Quando sai o terceiro volume?”. George R.R. Martin é um gênio, é a única coisa que eu posso dizer dele. E ele deve tomar alguma água suspeita para conseguir criar uma trama tão... Tão... Maravilhosa. O único inconveniente é que ele demora demais para escrever. Pô, Martin! Acelera aí! RSS
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