sábado, 25 de fevereiro de 2012

Muito longe de casa, de Ishmael Beah

Capa "Muito longe de casa"
Título Original:
A Long Way Gone: Memoirs of Boysoldier
Autor:
Ishmael Beah
Origem:
EUA
Tradução:
Cecilia Gianetti
Editora:
Ediouro
Ano:
2007

Não há como negar que este livro conta uma realidade muito triste, mas ele não entrou nos meus Tops. Apesar de a história ser muito triste e comovente, penso que o autor não é um “ilustre” escritor. Seu modo rápido e emocionalmente pouco detalhista não me agradou muito... Esta história tinha tudo para ser um Best-seller mundial que ficaria na memória das pessoas, mas faltou um pouco na escrita. Mesmo assim, este livro deveria passar pela cabeceira de muita gente, principalmente na de pessoas que só reclamam da própria vida, dizendo o quanto ela é ruim. Se você é assim, leia este livro e veja o que é uma vida ruim.
O autor, Ishmael Beah, começa a história a partir do momento em que sua pequena aldeia foi atacada por rebeldes. Ele, seu irmão e um amigo viajavam para outra aldeia no momento do ataque, por isso acabaram se perdendo dos pais logo no início da sua longa fuga. Eles então partiram em uma arriscada viagem pelas pequenas vilas e aldeias de Serra Leoa, com a esperança de encontrar os amigos e familiares sobreviventes do ataque de sua aldeia, mas principalmente de sobreviver à guerra civil que assola seu país.
A viagem reservou fome, sede, exaustão e perigo para os meninos, mas reservou também a separação e dor. Durante a parada em uma das aldeias, os rebeldes novamente os atacaram e Beah viu-se separado dos outros. Aquela foi a última vez que vira seu irmão. Sozinho, ele tentará que continuar a viagem contando com a própria sorte à procura de sua família e tentando se salvar dos conflitos.
Esta parte da fuga que parece nunca ter fim é uma prova do quanto uma pessoa pode ser forte e persistente. Um menino conseguiu andar por quilômetros e mais quilômetros movido apenas por sua vontade de encontrar a família e de sobreviver, sem comida, água ou um teto. Isto sim é determinação.
Bem, eu não gostaria de entregar toda a história, mas preciso prepará-los para o que os espera: Beah, em determinado momento, será capturado pelo exército de Serra Leoa e tornar-se-á um soldado. Passará por uma “lavagem cerebral”, será um viciado em drogas, assassinará civis e destruirá vilas inteiras. Perderá complemente a noção do que é ser um humano, perderá seus objetivos, sua infância e seus sonhos. Virará apenas uma máquina de matar drogada. Esta parte é a mais chocante, pois mostra uma realidade que todos ignoram. Crianças carregam AK -47 e G3 como se fossem brinquedos, descarregam em outras crianças igualmente destituídas de sua inocência em uma guerra que lhes tirou os pais e irmãos. Neste trecho, fiquei com uma sensação terrível no peito... O que aconteceu com o mundo?
Beah e outros jovens soldados permaneceram nesta vida até ser salvo por uma ONG. Será uma fase difícil para estes jovens salvos, graças à abstinência e aos “valores” ganhos durante os conflitos. Revoltas, ódio, agonia e dor serão o novo cotidiano deles, até que finalmente possam olhar para trás e verem no que haviam se transformado.
Ishmael Beah e sua mãe adotiva, Laura Simms 
Como eu já disse, todos ignoram o que se passa nestes países pobres presos em eternas guerras civis. Ignoram esta matança, esta destruição, esta pobreza, esta miséria... Quem olha (bem de longe) para estes lugares e para as pessoas que vivem neles, pensa: “Como podem viver assim?”. Eu não sei como é possível, mas eles conseguem, porque esta é a realidade e eles nunca conheceram outra. Beah trará isto no livro e não há como não ficar chocado, emocionado ou entristecido com estes fatos deprimentes. Fará você pensar em sua vida e dizer: “Nunca mais reclamarei. As crianças de Serra Leoa estão bem piores, mas continuam lutando”. Se a narração fosse um pouco menos veloz e um pouco mais detalhada, este seria “O” livro.
Mas, mesmo não entrando nos Tops, eu recomendo este livro. A história é... Bem, ela é linda e horrível ao mesmo tempo. Ela acrescenta... “Coisas” à sua alma... É um pouco difícil de explicar. Somente quem leu, entenderá. 


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E não sobrou nenhum, de Agatha Christie

Capa "E não sobrou nenhum"
Título Original
And then there were none
Autor
Agatha Christie
Origem:
Reino Unido
Tradução:
Renato Marques
Editora:
Globo
Ano:
1939


Diferentemente dos outros livros da Agatha Christie que eu li, este não tem um detetive para solucionar o mistério, nem mesmo meu herói Hercule Poirot. Bem, caso ele estivesse lá, provavelmente teria descoberto o assassino, mas a história não teria se tornado, disparada, a melhor que eu já da Rainha do Suspense.
Antes de começar a falar sobre a história, uma curiosidade importante: “E não sobrou nenhum” é o novo título dado à história, anteriormente denominada “O caso dos dez negrinhos”. Pessoalmente, a mudança do título foi um erro, pois contou o final da história (não sobrou ninguém), mas eu não sou a escritora nem a editora. Deixando as opiniões de lado, começamos a falar sobre o livro.
Coincidentemente, esta história lembra muito Lost, um seriado norte-americano onde um avião cai em uma misteriosa ilha que não permite que os sobreviventes escapem dela. Em “E não sobrou nenhum”, um grupo de oito pessoas, que desconheciam umas às outras, viajaram até uma ilha a convite de um milionário. O grupo é bem sortido, mas todos têm algo em comum: possuem algo obscuro no passado no qual eles querem esquecer, mas que vive rondando suas cabeças.  
Porém, misteriosamente, o dono da ilha não se encontrava nela e os meios de contato com o continente estavam desligados. Não havia como sair de lá. A casa era confortável e a ilha agradável, mas a única coisa suspeita era um estranho poema pregado na parede contando um caso de dez soldadinhos que foram morrendo aos poucos. Até esta parte, tudo bem. Não havia muitos problemas urgentes que exigiam medidas drásticas para sair, até que um integrante do grupo, Anthony Marston, é morto envenenado. O grupo sabe que, além deles e dos dois empregados da casa, não há mais ninguém na ilha, a não ser o homicida. Mas e se o assassino estiver entre eles?
Uma investigação louca entre o que sobrou do grupo começa, um desconfiando do outro. Ninguém vê um motivo para terem assassinado o rapaz Marston, talvez ele apenas tenha se engasgado com a bebida... Mas de repente, algo faz sentido no mistério:

Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, então sobraram nove.
Nove soldadinhos acordados até tarde, nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, então sobraram oito.
(texto retirado das páginas 50 e 51 do livro). 

A senhora Rogers, outra integrante do grupo, morreu enquanto dormia. Aos poucos, o grupo vai entendo que o assassino segue o poema pregado nas paredes dos quartos para cometer suas monstruosidades. Eles não sabem por que e nem como ele age sem que eles percebam. No momento, a pergunta mais importante é: quem será o próximo?
Como eu disse, este é disparado o melhor livro que eu já li da autora. A agonia que toma conta do leitor o prende do começo ao fim. Você desconfiará de todos, menos do assassino. Ele é esperto, calculista, frívolo, detalhista, perfeccionista... Um artista. Como o livro entrega logo neste título ridículo, ninguém sobreviverá, então posso entregar o final, que é a parte mais empolgante: se todos morrem, quem era o assassino?
Por mais que você se esforce, por mais que você olhe para todos os detalhes, por mais que você pense como um criminoso, jamais chegará a entender o que se passa na mente dos assassinos e dos detetives de Agatha Christie. Mesmo por que, se qualquer um conseguisse, ela não seria a Rainha do Suspense. Esta grande autora pensa em tudo, para não deixar que nenhuma ponta fique solta e escreve estas histórias fascinantes. Jamais me arrependi de algum livro que eu li dela... Entretanto, se você quer um verdadeiro livro de mistério, se você quer “O” livro da Agatha Christie, eu te recomendo “E não sobrou nenhum”.  

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Selinho!

Olá, meus leitores!
Parece que meu blog está ficando famoso, ganhei um selinho do blog Um Bestseller pra chamar de meu !!! Uhuuuuu!!! Já faz um tempinho que eu recebi, mas só consegui comentar hoje! Obrigada Adriana!

Regras:
~> Responder à pergunta
~> Indicar para 7 blogs

Falar 7 coisas sobre mim:
-amante de livros, filmes e músicas
-feminista
-aspirante à escritora
-adoro esportes, principalmente natação
-adoro conversar
-orgulhosa, teimosa e irredutível
-geminiana

Indico os blogs (todos incríveis e maravilhosos): Apaixonada por papelHellen's stuffsLouca por RomancesLoucosss por LIVROS e FILMESNa trilha dos livrosPrateleira de Cima e Roubando Livros.

Beijos e até o próximo o livro!

Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais


Capa: Os últimos soldados da Guerra Fria
Título Original
Os últimos soldados da Guerra Fria
Autor
Fernando Morais
Origem:
Brasil
Tradução:
*livro nacional*
Editora:
Companhia das Letras
Ano:
2011


Organizações criminosas internacionais, aventuras mirabolantes, disfarces perfeitos, conquistas amorosas, agentes secretos em ações temerárias: este livro traz todos os elementos de suspense de um romance de espionagem — mas não contém uma só gota de ficção. É tudo verdade, nos mínimos e, eventualmente, aterradores detalhes.
A sensação de que lemos um romance vem não somente da história extraordinária, mas sobretudo da hábil narração do autor, que desvela, com maestria digna dos melhores ficcionistas e máximo compromisso jornalistico na apresentação dos fatos, uma trama transbordante de eventos jamais revelados pela imprensa.
A semelhança com James Bond, porém, não vai longe: há charme nem riqueza, mas a vida dura e pobre de homens que se dedicam à sua missão ante todo tipo de adverdidades. Uma história narrada com objetividade rigorosa, para ler de um fôlego.

(texto retirado da contracapa).


Esta foi a leitura obrigatória do ano passado para o Ensino Médio, mas eu, leitora assídua, lê-lo-ia de qualquer forma. Este deve ser o melhor livro nacional da atualidade. E para os que concordam comigo, vou deixá-los mortos de inveja: o autor deu uma palestra na minha escola (hua hua hua), dando um ótimo exemplo de uma pessoa educada, culta e inteligente. Infelizmente, meu professor de literatura (e obviamente, meu professor favorito) só levou um amigo meu para cumprimentar o autor, que ainda por cima ganhou o livro A Ilha (do mesmo autor), com dedicatória e o e-mail do Fernando Morais. Feriu meus sentimentos (snif). Mas fazer o que?
Bem, isto não vem a caso, porque eu só comento livros e não desilusões (snif snif). Vamos nos concentrar no livro (mas bem que o professor podia ter me levado... Magoou. Rsrs).
Na palestra, o autor nos disse que a idéia surgiu em 1998, enquanto ouvia o rádio com sua mulher e, entra aquelas rápidas notícias, surgiu a informação de que agentes cubanos infiltrados nos EUA tinham sido pegos pelo FBI. Foi muito rápido, mas Fernando Morais virou-se para sua mulher e disse: “Isto daria um ótimo livro”. Olha no que deu!
Claro que sem sua influência e reputação, Fernando Morais não teria acesso às informações mais confidenciais e nem conseguiria chegar aos agentes presos, além do mercenário salvadorenho Raúl Ernesto Cruz León que se tornou meu personagem favorito do livro. Cruz León fora contratado por um grupo anticastrista para colocar bombas em hotéis de Havana para assustar turistas, desestabilizando a economia cubana, mas não foi isso que mais chamou minha atenção: o que mais me agradou nele foi a sua “paixão platônica” por Sylvester Stallone e em como ele se baseava no seu ídolo em todos os atentados que cometia (mas não pense que ele era um assassino impiedoso. Como diz o título do capítulo em que ele aparece pela primeira vez, ele não queria matar ninguém, apenas ser igual ao astro hollywoodiano).
O objetivo destes agentes era infiltrar-se nestas agências anticastristas para comunicar ao governo cubano onde ocorreriam atentados em Havana e impedi-los. O nome do grupo era Rede Vespa, com Gerardo Hernández como líder. A missão da Rede Vespa era tão secreta que eles esconderam de todos o que faziam e, para evitar-se uma traição no grupo, eles não conheciam uns aos outros.
Todos eles fingiram desertar de Cuba e fugir para os Estados Unidos como muitos outros cubanos fizeram antes para logo ganharem a confiança dos líderes anticastristas e infiltrarem-se nas agências terroristas.  Os dois agentes mais comentados são René González e Juan Pablo Roque (apesar deste último, no fim do livro, praticamente desaparecer), mas havia outros doze agentes infiltrados por toda a Flórida (estado norte-americano mais próximo de Cuba onde se concentravam as agências). O livro se concentrará principalmente neles, mas em alguns capítulos contará outros eventos, como a história do Cruz León ou então quando Fidel Castro contata Bill Clinton através de Gabriel García Márquez (ganhador do prêmio Nobel de literatura e autor livro Cem anos de solidão, que eu terminei recentemente). O livro narra, basicamente, como o país que mais expia no mundo tinha espiões bem embaixo do seu nariz.
Voltando para a palestra, Fernando Morais explica como teve acesso a todas as informações, como conseguiu chegar aos agentes, aos mercenários, aos relatórios, às notícias, a tudo que envolveu este episódio (quer dizer, teve acesso a uma boa parte dos acontecimentos que envolveram este episódio. Vai saber o que foi oculto do autor...). E, só pelo tempo que decorreu desde a prisão da Rede Vespa até o lançamento do livro, dá para ter uma noção do trabalho que ele teve. O livro é bem fácil de ler, bem prático, não é cansativo e o assunto, uma novidade, não é uma complexidade como eu havia pensado depois de ler a contracapa – qualquer ser leigo irá entender. Os brasileiros que ainda não leram, leiam! Como eu já disse, este é “O” livro nacional da atualidade. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Amor em Terra de Chamas, de Jean Sasson

Capa do livro Amor em Terra de Chamas.

Título Original
Love in a torn land
Autor:
Jean Sasson
Origem:
EUA
Tradução:
Débora Guimarães Isidoro
Editora:
BestSeller
Ano:
2008


Quando Joanna al-Askari recebeu uma carta do homem que amava, não imaginava as alegrias e, principalmente, os desafios que esperavam por ela ao aceitar casar-se com ele e acompanhá-lo na luta pela independência do Curdistão.
Nessa incrível narrativa, Jean Sasson revela ao leitor uma personagem real e forte, que enfrenta as rígidas regras sociais de seu povo para viver intensamente uma história de amor pelo Curdistão e pelo guerrilheiro com quem se casa.

Você sabe o que é o Curdistão? Bem, os que não sabem vão logo pensar que se trata de um país semelhantes ao Afeganistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Quirquistão... Acontece que o Curdistão nem é um país. Apesar de existirem os curdos (maior etnia sem pátria do mundo), o Curdistão é uma região entre a Turquia, Iraque, Irã, Síria, Armênia e Azerbaidjão, mas sem autonomia.   Depois do fim do império Turco-Otomano, formaram-se países como Turquia e Iraque, porém os curdos, sendo uma minoria, foram reprimidos. Desde então, grandes conflitos armados pedindo o nacionalismo curdo são travados nesta região.
E é nesta região de guerra, está Joanna al-Askari que sonha em se casar com Sarbast, um peshmerga (guerrilheiro curdo) e seguir na luta pelo Curdistão. No livro Amor em Terra de Chamas, será narrada pela autora Jean Sasson a história verídica de uma corajosa mulher sobre um cenário de conflitos e guerras que é ignorado pelo mundo.
Apesar de toda a seriedade da guerra, o tema principal é o amor de Joanna e Sarbast. Deixando de lado os sentimentos de Joanna e toda a história de amor, vou expressar minha sincera opinião: eu não me casaria com ele. Não porque ele seja um curdo (sendo que este povo estava sendo marcado para o extermínio) ou por que fosse covarde de enfrentar esta luta (apesar de realmente ser covarde). Eu não me casaria, desculpem os spoilers, pelo “fora” que ele lhe deu e, depois, pediu outra mulher em casamento. Desculpe, mas me deu um ódio de Sarbast. E o pior! No livro, não explica por que ele pediu outra em casamento, mas depois voltou atrás! O assunto é simplesmente deixado de lado. Este foi um ponto ruim, deveria ter aprofundado nesta parte (crucial) da vida do casal.   
Outro ponto ruim foi o modo como a autora escreveu. Não era um romance, estava mais para uma conversa entre amigos. Desculpem-me aqueles que gostam deste tipo de escrita, mas eu acho meio falho e cansativo. Faltam detalhes, algo que eu acho importantíssimo em um romance. Por ser tão direta e objetiva, a história perdeu um pouco da “magia”, não ficou tão emocionante e tão trágica como deveria ser um romance no meio da guerra. Se fosse estivesse na terceira pessoa e caracterizasse um pouco mais os acontecimentos, este seria um dos melhores livros que eu já li.
Mas, voltando ao livro, até que foi uma história muito interessante, porque aborda um assunto interessante. Antes de ler, eu ignorava completamente a existência de um povo que lutava e sofria pela sua pátria ainda inexistente. Não posso negar que até me sinto um pouco mal ao dizer isto, pois, enquanto eu escrevo no meu blog apenas por passatempo, tem milhares de pessoas morrendo pelo mundo por aquilo que ama e respeita. Como o livro é totalmente voltado para Joanna, a história dos curdos não é o tema principal, e você acaba sentindo mais pena da Joanna do que do povo dela, que sofre igual ou até mais.
Eu, sinceramente, não gostei muito do estilo desta autora, Jean Sasson. O modo como ela escreve é um pouco entediante. Então, os créditos para este livro ficam para Joanna al-Askari.
Impressionantemente, hoje eu não comentei muito sobre o livro em si, porque não tenho muito que comentar sobre ele. Só vou avisar que, logo no prólogo, a emoção dos conflitos e dos ataques toma conta do leitor. Joanna e Sarbast estão no meio de um atentado de um gás tóxico, quando Joanna perde sua máscara e acha que vai morrer. Depois volta para a infância dela e a história vai se arrastando... Mas ela melhora quando ela conhece seu marido. É um livro para ser lido quando se está a procura de uma história de amor ou verídica, mas não é muito indicado se você está à caça de um livro para ser surpreendido. Apesar de a história trazer grandes eventos, a narração não contribuiu.  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eragon, de Christopher Paolini

Foto da capa Eragon.
Título Original
Eragon
Autor:
Christopher Paolini
Origem:
EUA
Tradução:
Nelson Rodrigues
Editora:
Rocco
Ano:
2002



Tem um único ponto falho nesta história: é muito clichê. A mesma história de um menino simples que de repente vê o seu mundo mudar magicamente e agora a sobrevivência de todos que ele ama e a salvação de todos depende de sua coragem e força. Fala sério: este enredo já deu! Está certo que este tipo de “superação” atrai os leitores, mas tem uma hora que todas as histórias parecem as mesmas e os livros parecem uma mistura uns dos outros. Um pouco de originalidade nunca faz mal, viu?
E, bem, outro ponto negativo – mas que não deve ser levado muito em conta por um motivo que eu vou falar adiante – é que o livro lembra muito (mas muito mesmo) Coração de Cavaleiro, além de terem várias partes espalhadas pelas páginas que recordam acontecimentos de outros livros e filmes. Acho (leia atentamente: acho) que isto se deve a pouca idade do autor. Quando ele começou a escrever Eragon tinha só quinze anos (é a minha idade! Oh, meu Deus! Ainda posso ser uma escritora de sucesso!). Não é uma idade muito... Evoluída para ter idéias originais – falo por experiência própria.   
Ah! E antes de partir para a história, quero dizer que este livro foi uma tremenda covardia porque colocou como tema o meu ponto fraco: dragões. Eu sou viciada nestes seres mitológicos flutuantes, mesmo depois da minha irmã contar que eles não passavam de lenda (que golpe no meu coração... Mas isto já faz muito tempo). Mas isto não importa muito no momento... Vamos ao livro!
Gosto de histórias que já começam na emoção. Duvido que ninguém se prenda a algo assim. Em Eragon, começa com uma emboscada arquitetada pelo lado mal da história: um espectro – que está mais para um demônio – chamado Durza e seus comparsas Urgals – uma espécie de ogro. Eles querem atacar um grupo de elfos que possuem algo que o rei - também maligno – quer muito: um ovo de dragão. Há muitos e muitos anos atrás, dragões não eram raridade em Alagaësia, porém os tempos dos Cavaleiros de Dragões se foram graças a uma traição. Os dragões foram praticamente extintos, mas ainda existem três ovos, sendo que um está no poder dos elfos. O rei pretende manter os ovos consigo, pois assim ele terá total poder sobre os últimos herdeiros de uma raça poderosíssima.
Mas, para a infelicidade do mal, a emboscada não dá certo, pois Arya, uma elfa que você tem que se lembrar para mais tarde, consegue “teletransportar” o ovo para longe. Ela é seqüestrada, porém o ovo foi salvo.
Entra em cena nosso herói, Eragon. Ele caçava na Espinha quando, subitamente, uma pedra azul e brilhante surge na sua frente. Acreditando ser muito preciosa, ele tenta vendê-la, mas sem sucesso. Acaba ficando com ela, porém, depois de certo tempo, a pedra se parte e nasce um filhote de dragão. Eragon agora está ligado ao pequeno serzinho e a um mundo que ele só conhecia através das histórias de Brom, um velho contador de sua aldeia (lembre-se dele durante a saga inteira, é importantíssimo). Agora, com seu dragão Saphira, ele precisa livrar Alagaësia da tirania do rei e de todos os maus que afligem o povo. Neste caminho perigoso até os Varden, uma sociedade secreta contra o rei, Eragon contará apenas com o misterioso Brom, com Arya (eu disse que ela era importante) e com Murtagh, que, apesar de ser muito lindo e simpático, guarda uma sombria história cheia de cicatrizes. Ah sim! E com Saphira, sua inseparável companheira.
Os tempos de Cavaleiros dos Dragões estão voltando, com Eragon encabeçando a história.
Christopher Paolini
Bem, eu já dei minha opinião sobre o livro e já disse que sou apaixonada por dragões, mas tem mais uma coisa que eu quero ressaltar antes do fim. Neste livro, há um personagem que não ganha muito destaque, mas que nos seguintes vai ganhar mais o meu afeto do que o próprio Eragon: é o primo dele, Roran. Não vou falar dele neste livro porque ele praticamente não tem muita importância agora, mas no próximo... Preparem-se para Eldest, o segundo livro. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Crítica contra o BBB

Anteriormente, eu havia recebido este texto como sendo de um escritor que eu adoro, mas fiquei sabendo que não era dele. Mas vou deixar assim mesmo porque eu concordo. Aqui está:


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB  é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB  é a realidade em busca do IBOPE.  

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. 
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. 
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. 
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia. 
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). 
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. 
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de trás do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. 
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores) 
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.


Lindo! Magnânimo! 
Eu não sei se alguém se incomoda se eu colocar este texto no meu blog, mas ele foi de espetacularidade, que eu precisei postar.

Diz aí: BBB já deu o que tinha que dar! Coloca outra coisa qualquer! Pelo amor de Deus!

Loucosss por LIVROS e FILMES

http://loucosporlivrossefilmes.blogspot.com/

Olá, leitores!

Trouxe mais uma indicação de site para vocês! Este aqui que eu trago, não acompanho a muito tempo, mas ele me chamou bastante atenção... Só para dizer, somos parceiros agora! XD

O nome é Loucosss por LIVROS e FILMES e sua autora se chama Eva Cardoso. Gosto do site pelas indicações que ele sempre está fazendo, todas muito boas. Sempre que eu entro, um novo livro ou filme para ser comentado. Gosto bastante disso...

Vocês vão gostar também pelo designe dele... Pelo menos as meninas (rs). Mas as postagens tem letras bem grandes, o que é ótimo na hora de ler e não é cansativo. Sem contar que a autora escreve muito bem!

Bem, esta é a indicação de hoje, meus leitores. Espero que aprovem o site também!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Passagem, de Justin Cronin


Foto da capa A Passagem.
Título Original
The Passage
Autor:
Justin Cronin
Origem:
EUA
Tradução:
Ivanis Calado
Editora:
Sextante
Ano:
2010




Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.
(texto retirado da contracapa do livro)


Quem ler A Passagem vai reparar em uma grande semelhança entre o livro e o filme “Eu sou a Lenda”, com Will Smith. Os vampiros são praticamente idênticos – olhos brilhantes, pele translúcida, dentes enormes, memória completamente apagada – e o simples fato da população ter sido quase dizimada, sobrando apenas algumas colônias. No começo, eu acreditava que o filme tinha sido baseado neste livro, mas depois a história tomou outro rumo e não tinha nada a ver com nada ali...
A história é a saga de Amy, uma menina que é abandonada em um convento pela mãe prostituta depois desta cometer um assassinato e sumir misteriosamente. Amy passa a ficar sob os cuidados da freira Lacey, uma mulher de passado sombrio e macabro.
De repente, a história parte para alguns e-mails muito estranhos e suspeitos. Acho que o autor só queria dar um ar de suspense e terror à história, porque o personagem que envia os e-mails nem aparece mais no livro. As mensagens começam super empolgadas e maravilhosas, mas, aos poucos, a coisa começa a ficar assustadora e termina com um “agora eu sei porque os soldados estão aqui.”. Uhhhh!!! Medinho!
Mas a história já muda novamente de figura e parte para Wolgast e Doyle, dois agentes do FBI. Por algum motivo que nem mesmo eles sabem, os agentes estão retirando prisioneiros condenados à morte da cadeia e entregando ao governo para algum fim misterioso.
 Wolgast ainda tenta superar o divórcio de sua mulher, pois, desde que eles perderam sua filha de um ano, a mulher não aguetava ficar dois minutos perto dele sem chorar (e sabe o que ela fez? Desculpe contar, mas ela casou com outro! Coitado do Wolgast...). Doyle é mais um personagem secundário, aparece apenas como o ajudante bem-humorado que sonha com uma vida de sucesso no FBI. No começo eu não gostava dele, mas depois ele ganhou meu afeto.
Bem, Wolgast e Doyle tinham acabado de tirar Anthony Carter da cadeia (preste muita atenção neste cara no livro! Ele é importante!), quando recebem a informação de que devem “seqüestrar” mais uma pessoa para o governo. Porém, desta vez, não se tratava de um bandido, mas de uma menina: Amy.
Vai acontecer uma confusão desgraçada (mentira, foi muito legal) enquanto Wolgast tenta tirar Amy de Lacey, que parece ter se cativado muito com a menina e não vai deixar que ninguém a leve embora. Porém, se ele não conseguir pegar Amy, a história termina não é verdade? Depois que Wolgast leva Amy, um laço muito estranho se estabelece entre os dois e parece que aquela menina é a filha que ele perdeu. A dúvida fica cravada então na sua cabeça: o que fazer? Entregar ao governo para algum motivo suspeito ou fugir com ela para criar a filha que ele tanto amou?
Não vou contar o que aconteceu, claro! Só vou dizer que ele vai descobrir o que estava acontecendo com os prisioneiros: estavam realizando alguns testes muito estranhos, onde um cientista louco acreditava ter descoberto a cura para todas as doenças. No laboratório onde estavam fazendo as experiências, vocês vão conhecer Zero. Muita atenção neste cara também! Ele é ainda mais importante que o Carter. E não se assustem com o jeito parado e frio dele: é estratégia. Ah! E mais uma coisa: é no dia em que Wolgast descobre a verdade sobre estes testes que a humanidade estará perdida.
Deixando isso à parte, partiremos para 80 anos mais tarde, para o que seria a última colônia que se formou depois que uma grande leva de vampiros quase acabou com o mundo, porém haviam sido criados fortes muito bem iluminados para proteger algumas crianças escolhidas na sorte que seriam o futuro do planeta.
O personagem principal é Peter Jaxon, que está preocupado com seu irmão Theo (maravilhoso! Bobo, mas maravilhoso) que fora seqüestrado pelos vampiros. Ele mora em uma das colônias, porém um grande perigo se aproxima lentamente: a bateria que mantêm as luzes acesas e os vampiros bem longe está acabando e, em breve, a escuridão tomará conta trazendo consigo os monstros.
Eu também não vou contar se as luzes vão ou não vão se apagar, mas vou dizer que Peter irá conhecer Amy, que misteriosamente aparece no portão da colônia, quando todos achavam que eram os últimos sobreviventes no planeta inteiro. Confiante de que existiam mais pessoas vivas por aí, Peter, junto com Amy, Alicia (sua melhor amiga que ele ama), Sarah (a namorada largada), Michael (irmã de Sarah), Hollis (um cara que veio junto...) e Mausami (namorada de Theo, que foi junto porque acredita que seu amor esteja vivo em algum lugar), saem da colônia e partem em uma jornada incrível que mostrará no que o mundo se tornou.
Antes de mais nada, eu quero dizer que estou me remoendo de ódio até agora porque o Peter não ficou com a Sarah. Desculpa os spoilers, mas foi a pior parte do livro. Raiva! Coitada da Sarah, fez de tudo para que ele amasse e o Peter fica com a Alicia! Meu Deus... Foi deprimente.
Mas tirando isso, a livro foi bem legal, bem elaborado... Não sou muito fã de livros apocalípticos, mas este foi bem interessante. Achei apenas que o autor, Justin Cronin, fez muito suspense e mistério, deixava muita coisa no ar e isto era muito ruim, porque eram muitas dúvidas a serem armazenadas e respondidas depois. Tinha que ser mais claro em alguns pontos e mais objetivo. Gostei da ideia dos Doze (você vai entender quando ler), gostei do Zero com seu jeito calculista e frívolo, do Carter e do Wolgast, paternal até o último instante. Mas principalmente do Theo. Não que ele tenha tido uma grande participação no livro, mas ele era o líder, pelo menos até ser seqüestrado (hehehehehe). Às vezes, ele era muito bobo, mas a história dele com a Mausami foi muito bonita, deu uma cor no livro sombrio. E eu até que gostei do Peter, mas a escolha dele foi assim... Decepcionante.  
O próximo livro está previsto para este ano e eu quero ler muito porque, como é típico do autor, ficaram muitas coisas para resolver. Sem contar que o último acontecimento foi chocante. O que será que aconteceu com o grupo?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Anel de Noivado, de Danielle Steel

Foto da capa O Anel de Noivado.
Título Original
The Ring
Autor:
Danielle Steel
Origem:
EUA
Tradução:
Isabel Paquet de Araripe
Editora:
Abril Cultural
Ano:
1985


Primeiro: esta capa é muita feia. Que poluição! Precisa de tudo isso? Além do que, eu não sei o que uma morena de olhos escuros está fazendo ai, porque a história fala de mulheres loiras de olhos azuis. Sem-noção. E ainda tem Hitler com Mussolini ali no canto, com uma bandeira dos EUA sobre as suas cabeças (hã?), um tiozinho com cara de mafioso do outro lado, um pedaço de um carro, uma fração minúscula de uma cidade perdida embaixo do tiozinho, um casal no maior “Love” embaixo (sendo que a mulher está com uma cara de aproveitadora e o homem de safado...), umas rosas fazendo “sabe-Deus-o-que” ao lado e uma fazenda bem ao canto (outra coisa sem-noção, porque eu não me lembro de fazenda nenhuma na história... Lembro de um castelo, mas isso não é nem de longe um). Se o título não refletisse a luz, eu nunca teria conseguido ler o nome da história. Ficou muito feio...
Mas como diz o bom e velho ditado, “nunca julgue o título pela capa”. Este livro tem fortes emoções. Antes de falar sobre ele, quero dizer que ele não entra para os Tops, porque eu fiquei com um ódio crucial de um personagem, que feriu meus sentimentos com uma ação imperdoável. Sinto muito.
Serão três gerações de uma família, começando por Kassandra  von Gotthard, casada, mãe de duas crianças, que perdera a completa razão de viver até conhecer o charmoso (e bota charmoso nisso!) Dolph Sterne, um escritor judeu. Kassandra lutava contra o que a sociedade lhe impusera – a mulher superficial, casta, fiel, procriadora, sua existência não passava de mera formalidade – mas a cada diz que passava, mais a infelicidade tomava conta de sua alma. Ela se afogava neste limbo quando Dolph apareceu para salvá-la e, pela primeira vez, ela se sentiu... Alguém. O que sentia por Dolph era toda a paixão avassaladora guardada dentro de si e, por mais que amasse seu marido, deixou-se entregar neste amor.  
Porém o destino desta paixão foi cruel, pois, no meio d caminho, estava a Segunda Guerra Mundial, nazista e impiedosa. Por mais que Walmar von Gotthard, marido de Kassandra, tivesse a prevenido que a guerra não teria misericórdia com seu amante e nem com seus conhecidos, ela não se afastou dele (sim, o marido soube do romance desde o começo!). E, bem... Ela não foi piedosa. O que aconteceu, foi uma surpresa para mim e você só saberá lendo o livro...
Depois, passados alguns anos, a história parte para a segunda geração: Ariana, filha de Kassandra. Caracterizada com muito delicada, pequena e meiga, sua personalidade é oposto: forte, corajosa e astuta. Eu não posso falar muito sobre ela, nem sobre o pai Walmar ou o irmão Gerhard, porque vou dar dicas preciosas sobre o livro... Mas posso simplificar: Ariana vai mostrar o que é ser uma mulher forte, mesmo sendo tão jovem. Ela passara por terríveis acontecimentos, mas conhecerá o amor de Manfred von Tripp, um soldado (não) nazista contrário a guerra que perdera tanto quando a menina, que lhe dará a coragem para continuar em frente depois de tudo o que passara.
E por fim, já nos EUA, vem a terceira geração que quase não aparece: Noel, filho de Ariana (e Manfred. Aêêê!). Ele aparece mais para mostrar como está a vida da mãe depois da guerra que já acabara há anos, assim como o resto do mundo. Muitas vezes, ele se torna um personagem coadjuvante e a história se foca novamente em Ariana, o que falhou muito: deveria ficar o tempo todo nele. Noel é, segundo as fala de Ariana, idêntico ao pai com exceção dos olhos azuis característicos da mãe (e da avó). É a parte mais curta da história, sem grandes acontecimentos. É apenas a conclusão.
Se me pedissem para resumir este livro em uma única palavra eu resumiria em “novela”. É uma tragédia do começo ao fim. Mas eu, noveleira como eu sou, amei todo o romance e dor das personagens, amei sua força, sua coragem, sua persistência, suas histórias, seus dramas... Belíssimo. Adoro romances deste tipo. Adorei o modo como a autora Danielle Steel escreve e adorei a história criada, mas eu acho que ela pecou (e muito) na parte em que Ariana conhece Paul. O que aconteceu... Eu fiquei indignada.
Mas nada é perfeito, a não ser o Manfred (kkkkkk). Brincadeira! Ele é bonitão e todo carinhoso, mas é da Ariana. Invejinha boa dela rs.        
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