terça-feira, 27 de novembro de 2012

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

Capa "Admirável mundo novo"

Título Original:
Brave new world
Autor(a):
Aldous Huxley
Origem:
Inglaterra
Tradução:
Lino Vallandro e Vidal Serrano
Editora:
Globo de Bolso
Ano de publicação:
1932


Estou lendo muitos livros de ficção científica nestes últimos tempos... Mas, sem sombra de dúvida, este é o mais tenebroso de todos. Não só pelo que acontece na história, mas principalmente porque... Bem, este não parece ser um futuro de todo impossível.
 Estamos em 632 depois de Ford em um feliz e estável mundo. Esta atual sociedade está satisfeita com sua vida sem preocupações e livre de negatividades graças ao soma – droga sem efeitos colaterais. Sem preocupações com família (afinal, este conceito não existe mais) ou direitos (sua condição social é predestinada quando se é um embrião e se aprende a amá-la), ela é dividida em cinco castas: Alfa, Beta, Gama, Delta e Ípsilon (respectivamente na condição hierárquica).  
Tudo era perfeito e maravilhoso. Os bebês eram feitos em laboratórios, todos lindos e perfeitos, com seus traços indicando a que casta ele pertencia e, durante seu desenvolvimento, lições sobre como deveria se comportar e pensar eram passadas sem interrupções (principalmente enquanto dormiam). Esta produção em massa de crianças produzia milhões de habitantes para o planeta e alguns milhares de sobrenomes, portanto, não era incomum estranhos terem sobrenomes iguais. “Cada um pertencia a todos”, ou seja, conceito de fidelidade e amor eterno eram a mais pura blasfêmia.
Religião? Por Ford, o que seria isso?
Livros? Por que um prazer tão individual?
Algo ao ar livre? Isto é tão incomodo e sem lucros... Por que não um esporte caro ou um cinema sensível?
Outro modo de pensar? Colocaram álcool em excesso durante o processo de desenvolvimento do embrião...
Falando em excesso de álcool, esta era a explicação lógica que todos arranjavam para o modo esquisito como se portava o protagonista Bernard Marx (este sobrenome lembra algo?). Sua baixa estatura, sua aversão ao soma e suas constantes reclamações sobre como a sociedade era dirigida transformaram Bernard em motivo de chacota e olhares superiores.
Entretanto uma “pessoa” seguidora dos costumes e regras se aproxima de Bernard: Lenina. Linda e pseudosomática, ela é o modelo de perfeição. Porém, para Bernard, ela não é um “pedaço de carne” como todos se tratam.
Uma viagem para uma reserva de selvagens, entretanto, mudará o cotidiano destes dois (e de muitos outros). Os selvagens, apresentados como índios que casam e tem filhos (Ford!), jamais podem sair da reserva... Mas quem disse que daquele lado só existem selvagens? É na reserva que eles conhecerão John, amante de Shakespeare, filho de civilizados e selvagem na alma e o levarão para o mundo.
John influenciará o mundo com toda a sua paixão e poemas... Ou será controlado e alienado por esta sociedade estável?
A preocupação que este livro gera é sobre a alienação. Durante a história, o leitor pode até rir e achar tudo um absurdo, mas será que este futuro é impossível? E, se não for, será que está tão longe quanto parece? Será que estamos tão alienados que nem percebemos? Obviamente que não somos tão “robôs” quanto os personagens da história, mas nós somos completamente desprovidos do controle da mídia e governo?
Realmente é um pouco preocupante este universo criado por Aldous Huxley. Faz o leitor refletir sobre como era a situação na época em que foi escrito o livro, na nossa situação atual e sobre o que nos aguarda no futuro. Ok, admito que um grama de soma de vez em quando não iria matar ninguém e que hoje o mundo está longe de se tornar um lugar satisfatório, mas prefiro a minha capacidade de pensar de agora.

P.S.: dos três grandes livros de ficção científica que eu li (1984, Laranja Mecânica e Admirável mundo novo), todos tratam sobre a alienação... Será este o nosso futuro inevitável? 

2 comentários:

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