domingo, 18 de agosto de 2013

O Cortiço, de Aluízio Azevedo

Título Original:
O Cortiço
Autor(a):
Aluízio Azevedo
Origem:
Brasil
Tradução:
*livro nacional*
Editora:
Lafonte
Ano de publicação:
1890

O Cortiço é resultado da ambição sem tamanho de um avarento, João Romão. Tudo começou com uma simples venda herdada de seu antigo patrão, vizinha à venda de Bertoleza, negra viúva e escrava. Cegado pela ganância, João Romão aproveita-se da fragilidade de Bertoleza e de seu patrão, um velho cego, para conseguir uma falsa carta de alforria. Assim, ele “casa-se” com a negra e consegue fundir as duas vendas. 
Porém, João Romão não parou por ai: comprando os terrenos ao redor e a pedreira logo atrás, ele e Bertoleza construíram (com materiais roubados na calada da noite) pequenas casinhas que abrigariam famílias de lavadeiras pobres, o que lhes proporcionaria uma renda extra. Nascia então o cortiço de S. Romão. 
O único terreno que Romão não conseguiu comprar foi de seu vizinho, Miranda, um aristocrata em ascensão. O cortiço seria uma eterna praga para Miranda, pois era habitada por uma classe baixa, portanto, ser vizinho desta ralé era sua maldição. Além do mais, como Romão não conseguira o terreno, fez questão de construir suas casas até o limite do muro do sobrado de Miranda, aproximando os dois mundos ainda mais.
O cortiço é constantemente elevado à condição de ser vivo. Quando o dia começa, ao invés de abrir suas janelas, o cortiço abre seus olhos e vomita as lavadeiras para suas tinas (e, diga-se de passagem, eram alugadas por Romão, que ganhava outra renda com o trabalho independente dessas mulheres). Vão surgindo os personagens: a imponente portuguesa Machona e seus três filhos, Ana das Dores, Neném e Agostinho; a brasileira honesta Augusta e seu marido mulato e militar Alexandre, pais de muitos filhos, entre eles Juju, afilhada da prostituta Leónie (atenção nela); a adúltera Leocádia, casada com o ferreiro Bruno; Marciana, mulata com mania de limpeza que acaba enlouquecendo quando sua filha Florinda engravida de um empregado de Romão e foge de casa; Dona Isabel, mãe de Pombinha, querida por todos no cortiço graças à sua alfabetização, mas que, apesar dos 18 anos, ainda não menstruou e, portanto, não pode se casar; Libório, um velho mais avarento que Romão, pois esconde uma fortuna e pede esmolas aos outros moradores; Albino, um fraco rapaz “afeminado”; e minha personagem favorita, Paula, vulgo Bruxa, que seria como uma curandeira louca. 
No sobrado de Miranda, apesar de toda sua “condição superior”, em questão de maledicência, não fica muito atrás do cortiço: a mulher de Miranda, Estela, acaba por ter um caso com Henrique, rapaz filho de um fazendeiro que passa uma temporada na casa de Miranda. Ela e o marido se odeiam profundamente, apesar de sentirem uma atração quase animalesca um pelo outro. Eles têm uma filha, Zulmira, que terá um papel crucial no plano de grandeza de Romão. Como não bastasse esse caso extraconjugal entre Estela e Henrique, os dois são flagrados por Botelho, que, em troca de seu silêncio, exige alguns favores por parte do casal. Para quem pensa que o velho vai pedir algo de cunho sexual por parte da mulher, acertou em parte: ele deseja o sexo, mas com o rapaz. A questão que fica no ar: Henrique aceitou?
Não só Henrique e Botelho são uma representação de homossexualidade. Pombinha e a prostituta Leónie formam uma parceria. A menina “sonha” em se casar, mas ainda não menstruara, o que a impedia de dar filhos ao marido. Porém, em uma visita à casa de Leónie, esta a ataca em uma cena chocante e têm uma relação sexual selvagem. Atingida pelo prazer sexual, Pombinha assume-se homossexual e suas regras chegam. Depois do casamento, Pombinha se recusa a viver na prisão que é o matrimônio e foge para viver com Leónie. 
Um dos grandes pontos da obra está na chegada de Jerônimo e Piedade de Portugal no cortiço. Eles são um exemplo de honra, trabalho duro e honestidade. Porém, é com a volta de uma antiga moradora do cortiço que vemos as mudanças acontecerem.
Rita Baiana estava sumida quando Jerônimo chegou ao cortiço. Como o leitor já pode imaginar, a mulata vai seduzir (mesmo que inconscientemente) o português e mudar seu caráter português para um genuíno brasileiro. O grande problema está no parceiro de Rita Baiana, Firmo, capoeirista ciumento, e em Piedade, que apesar de seus esforços, não consegue manter o marido “na linha”.
A relação de Rita e Jerônimo criará uma rivalidade perigosa entre o cortiço de S. Romão e o cortiço de Firmo, conhecido como Cabeça de Gato. Em uma das brigas entre Jerônimo e Firmo, os dois cortiços acabam por se envolver, uma briga generalizada toda conta do lugar e a polícia é acionada. Policiais são o terror desses moradores, pois há sempre saques e despojos. Assim, quando S. Romão é ameaçada de ser invadida, seus moradores e os cabeça-de-gato se unem para impedir a tomada. 
O que ninguém esperava na verdade era que um morador atentasse contra as casinhas: a Bruxa, em um de seus pensamentos de louca, incendeia sua casa e o fogo se alastra. A Bruxa tentará colocar fogo no cortiço duas vezes e acaba por morrer queimada na segunda.
Deste segundo incêndio, Romão reforma o cortiço e transforma-o completamente. Ele perde seus ares mais selvagens e pobres, tornando-se mais “requintado”. Antigos moradores passam para o Cabeça de Gato, já que o aluguel de S. Romão está ainda mais caro, outros enlouquecem, Jerônimo e Rita se casam e se mudam, Piedade acaba por abrasileirar-se e sua filha Senhorinha terá o mesmo destino de Pombinha, agora com Leónie. Romão casa-se com Zulmira e Miranda tem que aceitá-lo em sua casa.
Mas e Bertoleza? Bem, apesar de ter levado o trabalho duro do cortiço nas costas, Bertoleza era uma pedra no sapato de Romão. Para casar-se com Zulmira e alcançar o topo da sociedade, era preciso dar um fim nela. Para tanto, Romão entrou em contato com os filhos do antigo dono de Bertoleza, que vieram reclamar por seus bens. Bertoleza, para evitar voltar à antiga vida (mesmo que não tenha mudado muito), abre o próprio ventre e se mata. Logo em seguida, Romão ganha um prêmio da comissão de abolicionistas. 
Como este é um livro requisitado pelo vestibular, não podemos deixar de falar sobre os elementos naturalistas presentes: a zoomorfização e o determinismo. As personagens serão constantemente comparadas e transformadas em animais, um recurso para mostrar o quão primitivo é o ser humano – esta é a zoomorfização. Já o determinismo, presente principalmente no caso Jerônimo/Rita, diz que o “homem é determinado pelo meio em que vive”. Quando sai de Portugal, Jerônimo era um imaculado trabalhador, mas, ao viver entre os moradores do cortiço, transforma-se em um brasileiro ocioso e dedicado aos prazeres. Sexualidade e críticas sociais são o ponto alto e novo para este estilo de literatura.
Mas, deixando um pouco de lado estas análises, digo sem hesitar que o Cortiço, de Aluízio Azevedo, foi uma ótima escolha para o vestibular. Ao lado de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Memórias de um sargento de milícias e Capitães da areia, o Cortiço está na elite de “grandes livros para a FUVEST” (na minha humilde opinião, claro, e ainda não foram analisados Vidas Secas e Sentimento do Mundo). É um livro tanto para leigos quanto para gênios. Fácil de ser entendido, tem emoção e graça, diverte e envolve. O leitor cria vínculos com os personagens e interage com eles. Para quem vai prestar o vestibular, este é um livro facílimo, portanto não será nenhum parto lê-lo (como aconteceu com Viagens na minha terra e A Cidade e as Serras).

7 comentários:

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi afilhadinha!

Eu não li esse, só li o resumo quando prestei vestibular, então não posso julgar. Mas concordo plenamente quanto a Viagens pela minha terra (argh!) e A cidade e as serras (um porre! Aquele negócio de meu príncipe toda hora é muito irritante!)

Beijos!

Blake disse...

Oi!
Nunca li o livro. Só conheço de nome mesmo. Mas ele não faz muito o meu gênero. Por isso, acho que não o leria.

BjO
http://the-sook.blogspot.com.br/

Glaucia Matos disse...

Olá,

Nunca li esse livro. Alias, li poucos livros desse gênero, acho que não faz muito meu tipo, sabe?

~Glaucia

www.leitorait.com

na prateleira disse...

ola!! já li este livro quando estava no colégio e vou dizer que não fui muito atraída ele é legal mas não chamou muito minha atenção!! napratheleira.blogspot.com.br

Eliane F.C.Lima disse...

Cara Gabi,
Fiquei muito feliz de saber que existem jovens ainda lendo e lendo clássicos. E escrevendo sobre eles. Como sou especialista em Literatura Brasileira - sou doutora pela UFRJ -, convido-a a ler muitos comentários meus sobre obras nossas. Postei, ultimamente, um comentário sobre "Dom casmurro".
Um grande abraço de Eliane F.C.Lima (Blogue "Literatura em vida 2")

Nequéren Reis disse...

Olá!!!, Deus te abençoe e bom final de semana, amiga ótimo livro, o seu blog é maravilhoso sucesso, já estou te seguindo, Aguardando Retribuição.
Canal Youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis
Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/

Vitor disse...

Gabi, eu respondi no meu blog sobre a parceria, passa lá.

Abraços

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